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CONSTATAÇÂO JUBILOSA DA VERDADE

no dia 28 de Junho de 2013
A CONSTATAÇÂO JUBILOSA DA VERDADE

 

A CONSTATAÇÃO JUBILOSA DA VERDADE






O primeiro passo que damos para a morte é a saída do ventre materno. Por ser este facto inevitável e verídico, tudo fazemos para que a nossa estadia, quer tenhamos nascido príncipes ou mendigos, se prolongue o mais possível neste planeta, enquanto procuramos sabre se há vida noutros mundos. Sendo o sonho a comandar a nossa existência, em certeza desta deve ser sua irmã gémea? Em cada dia em que se realiza um sonho, como o parar é morrer, lançamos de imediato mãos a nova empresa. Foi sempre este o lema da Humanidade, que certamente não mudará. Fazendo parte dela, absurdo seria modificar as coisas. Também não é essa a nossa intenção: ao iniciarmos esta descrição, a tarefa a que pomos ombros é apenas dar conhecimento aos poucos interessados, de alguns houver, da odisseia vivida pelo narrador, que aqui empenha a sua palavra de honra em não faltar à verdade, do principio ao fim. Para já, na tal incerteza da vida, não sabe se conseguirá terminar o que só agora começa, cheio de boa vontade…
A persistência nunca foi o forte deste homem, cujas as frustrações o fazem baixar os braços a cada passo. Por outro lado, animado, qual paladino da Verdade, se a saúde não lhe voltar a ser madrasta, tentará cumprir este objectivo.
Os contos de fada infelizmente passaram à história, para mal das crianças e de alguns adultos. Terão sido criados para embelezar um pouco mais o vale de lágrimas que é a vida dos seres humanos, para que a ilusão os faça sonhar com os impossíveis, e encontrem mais energia contra as adversidades…
Deixemos o abstracto, por que é de factos reais que nos ocuparemos desde já.
A saída precoce do protagonista de uma vida profissional que o realizava como homem, deixo-o bastante frustrado. Aquele decepar de pernas, lançando-o na prateleira, como um invalido, pouco a pouco, segundo a experiência o foi ensinando, conquanto sem curso de medicina, que o stress iria mutila-lo inevitavelmente para o resto da vida! Contando os amigos pelos dedos, embora extremamente dedicado, com receios talvez infundados, fugia ao convívio, mesmo detestando a sua irmã gémea, a solidão que, mais aliada ao sedentarismo, agia qual vírus corrosivo; e as insónias diárias mais nubelavam aquele panorama…
A jovem que decidira a seu tempo partilhar o dia-a-dia com ele, mantém-se dedicada a toda a prova. Mas ele é talvez complicado de mais para si próprio, pois bem acompanhado, teima em julgar-se só! Isto será masoquismo ou pieguice? Adivinhar é proibido, tanto mais que ninguém se faz…
Encarando os factos de frente, concluiu com alguma magoa não ser suficientemente inteligente para saber tirar o melhor partido da vida! Cada vez mais contestatário na religião que ainda professa, acha que uma das verdades do seu credo é que “nem só de pão vive o Homem”! Mas nem por isso deixa de se fechar em si próprio. Com tal feitio, por vezes não consegue abrir-se totalmente ao diálogo, remoendo o que sente num silêncio daninho. Nas suas afeições ou rancores, vividos intensamente, só consegue manifestar-se ao papel; e, com uma timidez de tal quilate, não chegará a lado nenhum!
O imbróglio profissional que se viu manietado, impedi-o de procurar novo emprego, sob pena de infringir as leis. E, como o medo é que guarda a vinha foi se deixando ficar num marasmo, em que ate as necessidades fisiológicas lhe serviam de passatempo.
O que resultou de tudo isto, a médio prazo? Uma hipertensão persistente, com o seu cortejo de inconvenientes, conducentes algum tempo depois a um enfarte, prontamente tratado por profissionais, cuja competência ninguém contesta…
Nos contactos travados entre o doente, sempre lúcido, e o elenco que o serviu ao longo dos diversos estabelecimentos médicos aonde passou, tem hoje a dita de afirmar haver males que vêem por bem, conquanto nada paga saúde. Começando por uma enfermeira Ana Granadeiro que, medindo a sua tensão, se alarmou com a elevação desta, mandando-o imediatamente, com uma carta, a alguém mais conceituado, neste caso uma médica, que o tratou com todas as atenções.
Mas isto era apenas o dealbar de uma odisseia, que ainda não terminou, sendo a burocracia um vírus mais difícil de debelar que muitas doenças físicas: É que a carteira vazia, em cada dia que passa, não contribui em nada para as melhoras dos hipertensos, agravando mais a enfermidade, com o receio de consultar alguns especialistas de que carecem à sua custa, porque através da providencia nem para o caixão arranjam finanças! È a triste verdade de um país que só na criminalidade e acidentes de viação caminha na vanguarda da Europa! Sucedem-se os governos, cada um com a sua ideologia, as promessas de vida melhor por cumprir, e a arraia miúda sempre a chafurdar na lama…
Desde o princípio lhe fora recomendado não esquecesse a medicação, e os seus passeios diários.
Num domingo, junto do órgão da sua igreja paroquial, durante uma missa em que estava de pé, teve uma vertigem, que só não caiu porque o seu amigo ensaiador do grupo coral o segurou. Todos se assustaram com o estado do organista, a quem aconselharam que fosse à urgência do hospital, que aquilo não era brincadeiras? Embora contrafeito, porque detesta grandes balbúrdias, seguiu o conselho, por que necessidade faz lei. Nesse dia foi recebido com a maior frieza por um profissional que pensou que ele talvez tenha ido ali praticar desporto. Passou lá umas longas horas, voltando a casa sem nada lhe ser detectado, conquanto lhe baixassem a tenção. Pudera! Com a atenção que fora examinado, talvez nessa altura ainda fosse um luxo chamar um cardiologista, disseram-lhe que não havia motivos para preocupações.
Infelizmente os tempos que se seguiram provaram não haver fumo sem fogo: o sinal de alarme veio precisamente das caminhadas que lhe recomendaram, para melhor funcionamento do coração. Em principio aqueles sintomas pareciam muito estranhos: não os revelou a ninguém, para não passar por tolo; mas cada vez mais o afligiam! Dores no braço esquerdo, que depois lhe passavam ao peito. Um filho seu perguntou a um médico, e este aconselhou-o imediatamente a consultar um cardiologista. A urgência do caso não lhe permitiu que os serviços oficiais do país o observassem! E viu-se obrigado a recorrer a um médico particular, que atenciosamente desencadeou um processo longo, ao detectar avarias cardíacas que bem graves se demonstravam. Fez-lhe diversos exames, sucessivamente mais sofisticados, que o doente teve de pagar à sua custa, enquanto amigos lhe diziam que o caixão era mais caro; e eu respondia que, no fim de tanto reboliço sempre tinham que o colocar dentro dele!
Um ecocardiograma não esclareceu convenientemente o médico que, sendo o doente cego, receou submeter a uma prova de esforço, supondo-o incapaz. Mas não havia outro remédio, porque tudo se agravava. E esta foi marcada para uma tarde muito chuvosa, com alguns azares bem piores que este à mistura: quando chegou a sua vez, tinha a tenção muito alta, e precisou de medicamentos para estabilizar. Finalmente pronto, foi a máquina que avariou, esperando-se mais de duas horas para que o técnico a desse como apta.
Sem ser supersticioso, lá no seu íntimo, Francisco pensava ser aquilo um mau agoiro, apôs lhe terem metido tanto medo com aquele exame. Afinal o que se fizera feio, saiu bonito: tudo correu bem, embora o dia não terminasse com grandes optimismos: ao descer os degraus daquele prédio, ele sentiu-se tonto, e agarrou-se firmemente ao corrimão. Nessa altura um médico que saía apercebeu-se do inconveniente e, não sendo nada com ele, foi de uma amabilidade estrema que aqui interessa focar: quando lhe viu o pulso, mandou-o subir de novo chamou a colega que fizera a prova de esforço ao doente, a quem o deitaram numa marquesa, ate que este se sentisse melhor e nada de facilitar, porque ali havia recursos, e em casa, não! Foi um exame caro, mas identificou certas dúvidas que já quase não existiam: três artérias obstruídas, que exigiam um cateterismo o mais depressa possível!
Mas o doente guarda as melhores recordações do seu atendimento, ficando-lhe gravado na memoria a atitude quase mais humana que profissional do médico que bem podia passar ao lado, tanto mais que ele não sabia quem era e o que fazia o homem que se cruzara com ele na escada. Sem facilidade de perdoar o mal que lhe fazem, também não esquece o bem, para que a sua consciência não o acuse constantemente!
Uma amiga sua, professora já reformada, que tinha problemas idênticos na família, desde o primeiro instante que o aconselhava a seguir certas normas, informando-o com antecipação dos passos que a medicina daria com ele. Era a D. Eva Moniz, que durante algum tempo também fez parte do grupo coral da igreja.
Deu-se o internamente hospitalar para o cateterismo, que deixou o doente muito preocupado, por ser bastante reservado. Mas depressa deu para constatar que estava entre gente sabedora do seu ofício, ate no tracto social de lidar com os pacientes.
Conheceu este ou aquele nome; mas, na sua cegueira não os alia às pessoas, rigorosamente. E antes de tudo não quer fazer citações, porque todos o trataram como um ser humano. E isto basta para que se compreenda como ele saiu de lá no dia seguinte, bem impressionado, embora tudo fizesse para não ser muito incómodo. Aquelas seis horas de papo para o ar foram um verdadeiro sacrifício para quem não tem tripas de sossegar um instante! Mas, que remédio! Fora só uma noite e um dia…
Tudo ficara estabelecido para que, logo que possível, se seguisse a angioplastia, o regresso à vida, como dizia o prospecto que lhe ofereceram à saída. Só que o pior ainda estava para vir, e mais uma vez na missa, tranquilamente sentado no banco do órgão! Coisa que nunca acontecera, nesse dia, ao mudar de roupa, esquecera-se do comprimido que, em casos extremos punha debaixo da língua! E, sentindo-se mal deixou as cerimonias em meio, ligou de imediato para o sue cardiologista, que estava no continente; este ao saber o que se passava, e já conhecendo as linhas em que se cosia, lhe sugeriu fosse logo para o hospital, levando toda a documentação que já possuía sobre os seus tratamentos. Desta vez deu-se o maior contraste com aquela em que recorrera à urgência: foi imediatamente atendido e, pouco depois, já lhe era diagnosticado um enfarte, dando-se o forçoso internamento, nas vésperas do embarque do filho mais velho para o Porto, aonde iria contrair matrimónio no domingo seguinte. Os contrastes que regem a Humanidade: “mortes ao chão, vivos ao pão”; um ditado que tem tanto de cruel como de antigo!
Francisco ficaria desde esse domingo à sexta-feira seguinte hospitalizado. Mas só na véspera de saída o informaram que tivera um enfarte, embora os familiares e amigos o soubessem no próprio dia.
Seria uma injustiça flagrante não descrever a solidariedade dos restantes membros do seu coro: ainda com ele em casa, o Sr. Manuel Terceira veio á pressa medir-lhe a tensão, alta, como sempre. E a filha Lurdes no carro do ensaiador, apareceram-lhe em casa logo a seguir, a ver no que paravam as modas. São gestos que ele jamais esquecerá! Saiu de casa mais bem reconfortado com aquele apoio.
A eficácia dos tratamentos fizeram com ele no próprio dia à noite se sentisse bem melhor; e, sem saber o que tinha, pensava que seguiria para casa após a visita. Mas foi o filho e futura nora que se despediram a caminho da sua nova vida partilhada, bastante preocupados com o incerto! Mas não adiantaria embora o pensassem adiar o seu enlace já que a vida do pai não dependia de tal acto.
Descrever com minúcia estadias num hospital seria fastidioso. Contudo durante aquele dias, malgrado a sua exagerada timidez, em que nunca tocou a campainha da mesa-de-cabeceira, para chamar fosse quem fosse, sentiu-se quase como em casa, através do à vontade puseram. A sua cegueira nunca serviu de tema de conversa, e era ajudado no indispensável, como qualquer outro doente, com todo o cuidado, nas poucas deslocações que teve de fazer.
Até com os companheiros de enfermidade fez boa camaradagem, o que foi muito salutar. Se era a tranquilidade que cada um precisava para se recompor, não seria por falta de zelo que não a teriam! Toda a medicação a tempo e horas, aonde ele nunca deslumbrou um mínimo de azedume em ninguém! Gostava de conversar com quem abordava, mas nunca tomava a iniciativa. Os seus livros em Braille, poucos, na altura, despertaram uma relativa curiosidade, quando o viam usar os dedos para a leitura, à falta de olhos…
Sentindo-se bem melhor, não compreendia a razão da sua permanência ali, ainda sem conhecer a gravidade da sua moléstia.
Com muita diplomacia, na manhã de quinta-feira, toda sorridente, uma enfermeira disse-lhe que daquela já ele estava salvo! Ele então questionou-a, e só nessa altura soube ter sido vítima de um enfarte! Safa, que alívio, pensou!
Um outro acontecimento totalmente diverso veio provar-lhe que aquela semana pouco antes da Páscoa seria bem diferente das restantes: o telefone da secção tocou; uns minutos depois a funcionária levou-lhe o aparelho dizendo-lhe que a esposa lhe queria falar. Tinha uma notícia muito agradável para lhe transmitir que o deixaria muito feliz. Mas ele, como adulto que era, e para bem do seu restabelecimento tivesse o máximo cuidado com as emoções. Cheio de curiosidade, ouviu a sua Luzia, um tanto preocupada mas não conseguindo esconder a alegria que lhe ia na alma, dizer-lhe que um outro filho chegara de surpresa, vindo dos Estados Unidos, sem tão pouco saber da hospitalização paterna, para passar com eles duas semanas. Na hora da visita, lá estava ele, aparentando grande satisfação, que transmitiu ao doente.
Um terceiro filho, - o casal tinha quatro, todos do sexo masculino – trabalhava numa agência funerária e, quando estava de serviço ao hospital, visitava o pai com assiduidade. Mas o mais novo nunca faltou a uma única visita, até ao regresso a casa do pai, que só apregoava aos quatro ventos a forma impecável como fora tratado naquela secção do hospital. Não distinguia ninguém em particular: cada um tem as suas funções, desde o mais conceituado médico ao empregado que desempenha o seu papel quase na sombra, para que tudo funcione em condições. Até o voluntariado o sensibilizou, pois lá encontrou a D. Manuela Medeiros, com quem já contactava, principalmente nas procissões da sua Paróquia! Ela tudo fez para o animar, dizendo-lhe que se viriam na próxima, aonde ele costumava acompanhar os fiéis com o acordeão, ao longo de um percurso de mais de duas horas. Ou no cemitério, dissera-lhe ele, meio a rir meio a sério, embora se sentisse melhor. No fundo estava longe de acreditar que pudesse novamente palmilhar aquelas ruas, de acordeão às costas, quando chegasse a procissão do Senhor aos Enfermos. Esta inspira-lhe muito mais respeito que as das Padroeiras, que mais lhe parecem folclore, pelo que raramente participa nelas. A fé não é matéria escolar que se estude dia após dia, mas algo que se manifesta no interior de cada um que, sem se escravizar a ideias preconcebidas, impele o ser humano, através da sua consciência, a agir como lhe parece melhor. É assim que Francisco a vê, mesmo sem olhos; e no momento actual já se libertou de muitos preconceitos, contestando lealmente aquilo com que discorda, mesmo sem se considerar dono da verdade. Já se sente nauseado com a infiltração de tantas ceitas, que conseguem manipular cérebros a seu belo prazer! Os impostores que se servem da boa fé de criaturas menos preparadas para enriquecerem à sombra destas, deveriam ser castigados severamente. Em resumo: é inimigo declarado de todo e qualquer fanatismo. Este ponto de vista não vem a propósito da descrição em curso. Mas não se perde nada em conhecer um pouco mais da personalidade do doente, como cidadão, sempre ansioso para se retratar. Tem por ponto de honra ser livro aberto, sem máscaras e quiçá isso por vezes seja imprudência ou ingenuidade: apanhando o pronto fraco, os desprovidos traem-no, sem pensar duas vezes. E então vem a revolta, a incapacidade de perdoar, o fechar-se em si próprio cada vez mais.
Soube entretanto que o irmão da Lurdes, amigo de longa data de um dos seus filhos, trabalhava como enfermeiro no hospital. E foi este que um dia, estando em casa, lhe mediu a tensão, embora com o pai presente. Conversaram longamente, e Francisco gostou imenso das impressões trocadas entre ambos: o jovem tocara-lhe com o dedo bem da ferida, e fez-lhe ver os motivos lógicos de que se a tensão não descia, tal se devia bem mais à forma emotiva que ele tinha de estar na vida! E assim seria muito difícil de velar o mal, se ele não mudasse de procedimento. Era quase um psicólogo, aquele jovem, prestes a casar!
Durante o tratamento ao enfarte, haveriam de se encontrar no hospital, e o optimismo daquele moço transmitiu facilmente uma atmosfera de alegria ao convalescente, logo pela manhã…
José Eduardo era o personagem em questão, também conhecido na igreja, colaborando com a comunidade paroquial.
Sem o vicio do fumo ou bebida, e foi isso o que lhe valeu na recuperação do enfarte, eram, sem dúvida, as suas emoções do dia a dia as principais responsáveis por tais desvarios cardíacos. Não há efeito sem causa.
Já aqui foi dito que a sua saída precoce das funções que desempenhava, era telefonista, o deixou esmagado, porque ao mudar de local de trabalho no mesmo ofício, não iria perder as capacidades de um dia para o outro. Mais do que nunca, e não adianta ocultá-lo, pela primeira vez na sua vida sentiu-se marginalizado, e não suportou o ambiente que os tubarões no local lhe criaram! O médico de clínica geral aconselhou-o a entrar de baixa, imediatamente, pois outros colegas do serviço dele estavam nas mesmas condições. Era uma opção entre purgatório e inferno, que ele teria de fazer: a solidão caseira, ou o enfrentar feras, praticamente desarmado, em pleno jaula! Só então sentiu o peso da cegueira; mas preferiu o sossego caseiro! Certamente aqui estará a nascente dos males que agora o afectam! Dias, meses e anos passavam, sem quaisquer alterações! A miséria que recebia da Providência é tão comum entre portugueses, que nem vale a pena lamentar!
Mais verdadeiro será o adágio “quem não aparece, esquece”, quando o indivíduo em questão se fecha em casa, sem vontade de reagir, julgando não valer a pena! Com igual salário durante vários anos, e a carestia sempre maior em cada um deles, é de ver que aquele homem mais revoltado e incapaz se sentia de fazer face à chamada vida normal, quanto mais aos extras que sempre aparecem!
A dado passo, foi a próstata que o atormentou. Bem caros os medicamentos, mas felizmente rápida a sua eficácia. Por duas vezes evitaram a operação. Mas, financeiramente, aquela família ficou de rastos. E a recuperação é sempre muito penosa e lenta: móe quase tanto como os remorsos numa má acção, quanto maior for a incapacidade de fazer fase às dificuldades. Como não querem que a tensão suba? Aqui os conselhos não anestesiam, porque não se vive do ar! Vegeta-se.
Os utentes da previdência sabem bem como são servidos, porque foram forçados a pagar antecipadamente! E, para justificar certas anomalias, é sempre a informática o bode expiatório, aliado à arrogância de certas funcionárias que, displicentemente ao balcão, apenas demonstram falta de educação, carências de humanismo, e provam ter a pança a abarrotar! Também os correios não são alheios ao episódio que se segue, e deixou mossa:
Há um mês em que o subsídio de doença não aparece; o lesado procura os seus direitos; e só para o próximo, que os computadores estão avariados. Será que também sucede o mesmo para quem labuta naquela instituição? Não o cremos, porque então haveria mais cuidado e respeito pelo dia a dia de cada um! No mês seguinte volta a não chegar nada; e a resposta é que o recibo já foi enviado com os dois meses. É de se perder o auto domínio! Francisco vai aos correios, mas a resposta está longe de satisfazer a quem tem a corda na garganta: aguardassem, que chegaria, porque ali não se achava nada…
Sabedor daquela situação embaraçosa, um amigo de Francisco, que não deseja ser nomeado, chamemos-lhe apenas “Dragão”, por ser portista, como ele, quase o forçou a aceitar um empréstimo, sem pressa de reembolso. Antónios, há muitos; por isso, se dissermos que é esse o seu nome, manter-se-á quase incógnito.
Por gratidão à justiça aqui fica dito que um político das altas esferas nacionais também o ajudou generosamente, além de pedir satisfações à segurança social.
A conta na farmácia de que era associado crescia; mas aí houve sempre a maior compreensão da gravidade do problema.
Um amigo da família, funcionário das finanças aconselhou-os a recorrer à assistência social, tendo já falado com alguém daquela instituição, na melhor das intenções. Para José Gomes seria o melhor caminho que Francisco deveria seguir. Mas alguém semeava o joio…
Dirigiu-se com a esposa a um tal Doutor Jorge, que não temos qualquer rebuço de dizer, passados os acontecimentos que justificam esta afirmação ele errou a vocação, através da forma cínica do seu tratamento social. No questionário que levou acabo só faltou perguntar quantas vezes se ia às instalações sanitárias! Fica-se com a ideia que lá do seu pedestal, com um ar de “santinho” ele goza com a cara das pessoas. Foi posto ao corrente do dinheiro que não chegara ainda; informou-se e confirmou a verdade na segurança social, mas isso não o comoveu, conquanto sabedor do empréstimo contraído por Francisco ao seu amigo “Tripeiro”.
Foi uma manhã completamente perdida, com um regresso a casa de péssimo humor, e a barriga de à muito a dar horas! Esse tal assistente social ficou de visitá-los, coisa que nunca fez; daria uma resposta definitiva, acrescentando que, se fossem medicamentos, a instituição certamente ajudaria bastante. Aconselhados pelo amigo Gomes Luzia voltou a procurar o doutor Jorge, dispensando a companhia do marido, para que este não se enervasse a ponto de perder o auto-dominio. Levou consigo uma vizinha viúva, cuja a mísera pensão de sobrevivência mal chega para a farmácia e seus afins. Nenhuma delas obteve êxito. Procurando um resto de calma que já não possuía, a esposa de Francisco, perante o cinismo de seu interlocutor, que levianamente se deu ao luxo de criticar tantas despesas em exames efectuados em médicos particulares, foi aos arames, porque ele, melhor que ninguém, sabe bem da burocracia, lentidão e maus serviços da previdência; e disse-lhe que se empenharia até à ultima para lutar pela vida do marido. E que ele descansasse, que jamais o voltaria a incomodar, a partir de então, nem que morresse à fome. Faltou acrescentar, (nem tudo lembra), que ele não passa de um empregado, e que não é dono do património nacional, talvez levianamente esbanjado, de formas duvidosas, com compadrios de menos carências.
O homem até implicou com o recibo das aspirinas, alegando que qualquer um as poderia comprar! Mas Luzia meteu-lhe pelos olhos dentro que estas eram receitadas pelo cardiologista, indispensáveis ao coração! Ele replicou-lhe displicentemente que os pagamentos da farmácia não seriam reembolsados por estarem muito atrasados. Pudera! Por algum motivo ela estava ali. Francamente, com servidores do estado desta têmpera, não chegaremos a lado nenhum. E o nome é aqui citado contrariamente aos nossos propósitos como prova que nada inventamos. Quem não quer ser lobo, não lhe vista a pele! Para além do mais, a revolta e especialmente a razão que julgamos assistir-nos, é mola que nos impele a não nos acobardarmos! Através dos diversos comentários vindo do exterior, muitas vozes são unânimes em não ter boas impressões desse zeloso servidor da pátria, que talvez lhe erija uma estátua, por estes tempos mais próximos! Pelo grande desprezo demonstrado nesta causa, a vitima em questão, que não é santo nenhum, sonha utopicamente que a roda desande, e esse presumido cidadão passe por carências iguais ou piores, para dar mais valor a quem, vindo ao mundo sem culpa, como qualquer ser humano, tem direito à vida.
São estes impulsos de azedume que retardam certamente o restabelecimento do doente, tão emotivo no amor e ódio, na gratidão e ressentimento, consoante o que lhe fazem! Até a nível familiar ele procede deste modo.
Sabedora de tais procedimentos, cheia de paciência, uma das enfermeiras da cardiologia conversou longamente com ele, aconselhando-o a não viver o dia a dia tão intensamente, que só o prejudicava. E, pouco a pouco, parece que a recomendação não caiu em saco roto: ele tenta a todo o custo descarregar aquele stress, na firme convicção que, não prejudicando ninguém, ajudando no que puder, a consciência o deixará em paz.
Numa das visitas das 19:00 horas, uma enfermeira vem trazer-lhe os cumprimentos e rápidas melhoras da sua amiga Ana, funcionária da clínica. Ele ficou muito satisfeito, e saiu-lhe uma das suas brincadeiras habituais:
- Muito obrigado! Essa pequena é mesmo uma querida!
Sorridente, a interlocutora retrucou:
- Olhe que a sua esposa está aqui, senhor sorridente. Depois trata-lhe da saúde!
- Trata-me da saúde? Eu espero já estar bom quando sair daqui, também tratado ando! Ela não se importa:
- Já sabe das minhas noivas!
- Sempre o mesmo brincalhão! Bom remédio para a recuperação! Mas não quer que eu transmita isto à Ana, pois não? Ou atreve-se?...
- Nem pensar! Safa! Ela ainda vinha aqui torcer-me o pescoço! Isto é só garganta!
Essa moça era mais uma que fazia parte do coro, filha de um amigo seu de longa data, nos felizes tempos em que ele trabalhava. Passageiros assíduos da urbana do Ramalho, Porto e Benfica eram quase sempre o tema de conversa, cada um a puxar a brasa à sua sardinha. O Sr. Armando Pico trabalhava na policia; e já o sogro dele, também oficial do mesmo ofício e conhecido no mesmo meio de transporte, se fizera amigo de Francisco, no princípio da sua vida profissional. Infelizmente hoje já não pertence ao mundo dos vivos, que Deus lhe fale à alma, pois o companheiro das folias nem foi ao funeral, por saber do falecimento tempos depois.
Após a alta do hospital, curado o enfarte, muito ainda havia para trazer preocupações! Aguardava-se um cardiologista do continente, para acolitar o Dr. Martins, e se proceder há angioplastia. Sem esta, o risco continuava!
E numa das diversas idas à clínica, muito perto da sua casa, Francisco chegou lá bem atrapalhado, recorrendo ao comprimido debaixo da língua. Enquanto a esposa foi tratar do que os levava ali, ele parou, ficando junto de Ana e, mesmo cego, apercebeu-se da atrapalhação da moça, que não o deixou um só instante entregue a si próprio, receando algum desfecho catastrófico. O afecto e gratidão que Francisco lhe sentiu naquele momento são demasiado sublimes para exteriorizar, algo que ele também nunca teve facilidade em fazer! Felizmente que o medicamento actua com rapidez, e ainda daquela vez ele regressou a casa são e salvo…
Veio finalmente a desobstrução daquelas artérias chatas! E, quando o médico o viu, sorridente, disse-lhe:
- Até que enfim, meu amigo! Isto vai correr bem, não tenha medo! Sairá daqui novo!
- Assim seja, Sr. Doutor! Estou em boas mãos, sem lisonjas, mas é a opinião geral! Aliás, nós estamos muito bem servidos de cardiologistas, no nosso arquipélago! Que não seja tudo mau!
Quando no dia seguinte, Terça-Feira, saiu do hospital, sem quaisquer exageros, Francisco sentia-se rejuvenescido e cheio de energia! Sem acreditar em milagres, quase imaginava ter sido alvo de um! Em boa hora ficara mais seis horas de barriga para o ar, sem quase mexer consigo! Quando nessa altura lhe trouxer o almoço, disse não querer, porque não conseguiria ingerir alimentos naquela posição! Mas a funcionária, já bem preparada para aquelas emergências, pôs-lhe a comida na boca, enquanto ele, meio acanhado, pensava alto:
- Duas vezes somos meninos! Ao que eu havia de chegar! Felizmente a cegueira nada tem haver com isto, o que seria bem pior! À doença e incapacidade, todos estamos sujeitos…
Passados os dias e semanas, o nosso homem era outro, até no optimismo, tão arredado dele, há largos anos! Quem se imaginou à beira do fim, como que se ressuscitara! Especialmente no seu andar, a diferença era abismal: há tão pouco tempo meia dúzia de metros pareciam-lhe léguas, e tinha de parar! Bela intervenção médica, que o transformara num atleta!
Haveria uma procissão na paróquia, à qual a esposa tinha muito gosto de ir. Simultaneamente receava deixá-lo sozinho, embora ele a tranquiliza-se, que não havia problema. Hesitou um pouco, mas decidiu-se ir com ela e, se desse para o torto, pura e simplesmente regressaria a casa. Era quase noite, que estava um tanto fria, mas sem chuva. O trajecto foi longo, mas não o afectou minimamente. Era incrível!
Uma outra prova de fogo, esta mais violenta, viria uns dias depois. Interiormente, gostava de o tentar; mas não se atrevia ao risco, sem uma opinião do seu cardiologista! Pensou na conversa, da voluntária ao serviço do hospital, a dona Manuela Medeiros, considerando na altura impossíveis os seus desejos, os de voltar acompanhar os fiéis na procissão do Senhor aos enfermos, com o acordeão. Quase por um descargo de consciência, pediu à sua vizinha e amiga Maria dos Anjos, funcionária do laboratório de análises clínicas que pusesse o problema ao cardiologista, Dr. Faria, pois estaria mais à vontade com ele. Ela foi muito prestável e, no tempo certo, respondeu a Francisco que o médico não via qualquer inconveniente, logo que o seu doente não se sentisse cansado. Um tanto a medo, ainda, mas com maior optimismo, Francisco arriscou: Foram cerca de três horas de percurso, e o instrumento musical não era assim tão leve como isso. Todavia, por incrível que pareça, ele aguentou toda a viagem, dando mais ênfase aos cânticos, no intervalo em que a filarmónica não tocava; e regressou a casa com a canseira própria daquela marcha, igual à dos anos anteriores! Em certas alturas até cantou, e não se ressentiu! A seu lado a dona Manuela indicava-lhe sucessivamente cada cântico escolhido. E, com a sua voz forte e bem timbrada, nunca se afastou dele! Um tanto séptico com a religião, aquele facto tocara-o bastante, enquanto intimamente se sentia muito grato aos avanços da medicina, que já chegavam aos Açores!
No diálogo havido entre Maria dos Anjos e o cardiologista, algo não funcionou pelo melhor: com toda a sua boa fé ele anui, mas pensou que o organista apenas acompanharia os fiéis na igreja, e nunca através daquela longa caminhada. Dias depois ao saber rigorosamente do que se passara, sentiu um grande alívio, porque tudo correu às mil maravilhas. Terá acaso havido algo sobre natural a complicar a enredar aquela má interpretação entre o médico e a vizinha de Francisco? Mais um mistério insondável…
Os tempos que se seguiram foram de verdadeira euforia daquele ressuscitado, pois passo o termo que fazia a sua vida normal, como dantes! Voltara-lhe até com mais dinamismo o entusiasmo pelo quotidiano, embora por vezes pensasse não fosse aquilo a visita da saúde. Mas, se o era, que prolonga-se a sua estadia, que ninguém a mandaria embora! Só que teria de manter a medicação, e pensara que, com as artérias desobstruídas, a pudesse dispensar, assim como aos seus custos. Mas o bom é inimigo do óptimo! Os médicos lá sabiam como lhe tratar da saúde.
Vai bastante longo este depoimento, sem dúvida, maçador. Porém até agora mantém-se inalterável a promessa: permanece a verdade descritiva.
Praticamente seis meses são passados. E, quando nada o faria o prever, volta tudo ao princípio: os passeios a pé dão o alarme de que algo não corre bem, com os sintomas do braço esquerdo e peito a doer! Em duas idas quase consecutivas, num Domingo e Terça-Feira, à urgência do hospital, os exames de rotina nada detectaram. Francisco, porém, muito preocupado, sugeriu que seria bom chamar um cardiologista; e teve sorte, porque lhe apareceu aquele que lhe fizera a angioplastia: viu ser urgente repetir a façanha, e seguiu-se o internamente do doente no domingo seguinte. Felizmente que agora já dispensavam, como o prevenira antecipadamente o Dr. Faria a vinda do médico continental; e fariam de uma assentada cateterismo e angioplastia! Era esta a principal preocupação do doente, receando que no intervalo de ambos, sendo longo, como da primeira vez, lhe sobreviesse mais algum enfarte!
O acolhimento voltou a ser a papel químico, isto é impecável. E o êxito, pelo menos até agora, semelhante ao da primeira vez! Só que o optimismo do paciente, que antes nunca julgou poder voltar ao que fora, não é o mesmo: de pé atrás, pensa que a qualquer momento entra em círculo vicioso. Isto não é aconselhável para a sua convalescença! Mas gato escaldado…
Ao longo da manhã da Terça-Feira em que teve alta, recebeu o incentivo que lhe faltava para levar por diante um projecto que alimentara à tempos: sempre bem disposta, uma das enfermeiras, a chefe da secção, com sotaque espanhol, abordou-o, e conversaram sobre os motivos possíveis da doença, e de como ele passava o tempo. Francisco não se fez rogado. Pois sente mesmo necessidade de desabafar sobre este tema inesgotável:
- Olhe, minha senhora: a minha desocupação, desde que deixei de trabalhar, será inimiga invencível, que certamente me prostrará! Desmotivado de tudo, o menor fracasso impede-me de recomeçar a vida. Sempre gostei muito de ler e escrever. Criei alguns livros, que ficaram na gaveta, sem hipóteses de os publicar, um sonho dos mais queridos do meu ser! Sem faltas modéstias, reconheço escrever razoavelmente, e muitos mo tenham dito. Quando me pedem para fazer isto ou aquilo, se o tema me entusiasma, não êxito e só descanso quando chega ao fim!
A enfermeira sorriu, gostou daquela franqueza, e lançou-lhe este interessante desafio:
- Pois muito bem, senhor Francisco! Porque não se dispõe a descrever a sua experiência connosco? Era muito engraçado para si, e nós talvez ajudasse, de futuro, a lidar melhor com os doentes! Fazemos o melhor que podemos e sabemos. Mas a experiência dos doentes sem dúvida que seria uma boa achega! Quantas vezes nos é impossível adivinhar os anseios de cada um! Junto o útil ao agradável, para si, preencha um pouco do seu tempo, e nós só lhe agradecemos! Vamos, mãos à obra!
- Acredite, minha senhora, que me despertou o maior entusiasmo, e simultaneamente uma grande responsabilidade: tudo farei para me desempenhar da missão! Quanto a mim, afirmo-lhe lealmente que não levo daqui a menor razão de queixa. Espero que pensem o mesmo de mim, que tudo fiz para maçar o menos possível! Todavia, por muito que o deseja-se, não estou no interior de ninguém, e não posso responder senão por mim! Tenho reparado que muitas de voz, com um ou outro, muitas vezes, fazeis das tripas coração, para não explodir com pacientes menos educados. Se para a recuperação dos doentes desta espécie é indispensável a tranquilidade e sossego, eu aqui encontrei uma e outro. E, com esta boa fé, farei o que estiver ao meu alcance. Só vos posso dizer: bem hajam pelo que me deram, do primeiro ao último! É que uma máquina desafina, tendo um simples parafuso mal apertado. Aqui, pelo menos na minha opinião, não é o caso! E quem diz a verdade dispensa toda e qualquer lisonja! A provar que não uso estratagemas, não gostei do primeiro dia em que me viram na urgência. Que isto baste para os que não me conhecem saberem que não sou fingido. Sempre direi o que sinto…
E com este diálogo estamos no fim do nosso trabalho. Sem grandes primores de literatura, é nos extremamente grato ter chegado ao fim, com a ideia de fazer a justiça que o nosso interior reclamava, apoiado pela gratidão. Que todos ou a maior parte possam dizer o mesmo, não enveredando sempre por caminhos destrutivos, condenando quase por desporto. Se por uns momentos nos pusermos na pele daqueles que nos ajudam, seres humanos, como nós, mais fácil nos será compreende-los. Jamais nos sentimos bem no papel de moralista. A nossa intenção é apenas testemunhar fielmente o tratamento recebido numa instituição hospitalar e seus afins, analisando tudo com maior detalhe. Daí mais uma vez pecarmos por descrições longas, às quais nunca conseguimos extrair o nosso cunho pessoal. Se assim fosse, cairiam à partida as nossas boas intenções, porque faltaríamos à verdade, neste ou naquele pormenor. Que nos desculpem os felizardos a quem narrativas sobre este tema nada dizem. Oxalá a sua boa e rija saúde nunca os abandone, e a vida profissional sempre lhes sorria! Infelizmente ficámos órfão de ambas, embora por enquanto, ainda continuemos vivo. Um grande bem haja a todos!

FRANCISCO MEDEIROS QUARTA

Ponta Delgada, 22 Novembro de 2004

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