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OS CAMINHOS DE UMA INCLUSÃO HUMANA

no dia 28 de Junho de 2013
OS CAMINHOS DE UMA INCLUSÃO HUMANA

 

Pais, educadores e demais profissionais estão se deparando, com um dilema: “Como educar nossos filhos para uma sociedade futura ?”.

Nossa preocupação e angústia vêm da natureza de não conhecermos em detalhes os aspectos fundamentais desta futura sociedade!

Se concordarmos que a função da Educação é a preparação das pessoas para o seu futuro, neste momento ninguém pode saber com exatidão como será o futuro, nem o futuro mais próximo.

Não sabemos, por exemplo, as conseqüências, das possibilidades da clonagem humana ou dos resultados do Projeto Genoma. Essa incerteza pode nos deixar paralisados, insatisfeitos com a maneira de realizar "uma educação", precisamos ter coragem para desafiar os erros para encontrarmos novas maneiras de “fazer” ou “refazer” a prática pedagógica.

Neste sentido, a Sociedade Contemporânea está passando por uma série de modificações estruturais que nos obrigam a reavaliar aquilo que estamos fazendo em Educação, e tentar alinhar este esforço à realidade que existe fora da instituição acadêmica. Por exemplo, muitas carreiras estão sumindo no cenário nacional e internacional, devido à informática e à globalização; por outro lado, carreiras novas estão surgindo.

Como deverá ser esta escola e este educador nessas condições? Como é preparar um educando num mundo de velocidade, de mudanças na sociedade, para um mundo de valores e de atividades profissionais diferentes das atuais?

Acredito que a meta principal, da Educação, da escola e do educador, tenha que ser investida no preparo do futuro adulto para pensar sistematicamente e ecologicamente. Exatamente o oposto da nossa Educação atual, que apesar de suas modificações através dos Parâmetros Curriculares, ainda está sendo aplicado na prática para formar os alunos baseando-se em fatos históricos e científicos potencialmente úteis no futuro, mas aplicáveis apenas no exame vestibular para entrada numa universidade.

A nova meta da Educação tem que ser como pensar e não o que se pensa. Os principais problemas de nosso tempo não podem ser compreendidos isoladamente, mas vistos de forma interconectada e interdependente. A maneira de pensar deverá ser "holística" (vendo o mundo como um todo, integrado) e "ecológica" (reconhecendo a fundamental interdependência de todos os fenômenos naturais), tanto como indivíduos como sociedade, todos nós estamos inseridos dentro de processo cíclico da natureza.

O holístico também é parcial, pois depende de quem está vendo, em que momento, lugar, situação, de quem se trata, para que... Portanto nunca teremos um controle do todo, mas podemos ter maior chance se nos propusermos a considerar vértices e opiniões diferentes da nossa.
Uma visão holística da inclusão dos portadores de necessidades educacionais especiais, significa ver a inclusão como um todo funcional, compreendendo suas inter-relações entre as partes envolvidas.

Numa visão ecológica da inclusão, implicaria a percepção de como as inclusões dos portadores de necessidades educacionais especiais serão inseridas em seu ambiente natural e social: de que precisaremos para executar este paradigma, quais as estratégias fundamentais, como a inclusão das pessoas portadoras de necessidades especiais poderão afetar o meio ambiente natural, nosso cotidiano e a comunidade que irá inseri-los? Por exemplo à questão do transporte: estamos falando do quanto as pessoas portadoras de necessidades educacionais especiais e a sociedade estão dispostas a investir em locomoção que está relacionada a velocidade, segurança, conforto, prestígio e seus efeitos de conseqüência no meio-ambiente. Isto envolverá valores diferentes, dependendo da escolha do transporte, por exemplo: entre carro adaptado, ônibus adaptado, cadeira de rodas. O individuo poderá ser visto como um pobre coitado, alguém de bom senso, respeitável, admirável, o rico que tenta esconder a deficiência, e outras possibilidades.

Hoje dependendo da cultura, do local, do tipo de transporte, do tipo da deficiência encontraremos valores diversos.

A metáfora central da ecologia, é a rede em oposição à hierarquia (estrutura de poder); é provável que teremos uma mudança na organização social, de hierarquias para redes, em vez de um paradigma baseado em valores antropocêntricos (centrados no ser humano) surgirá um paradigma baseado em valores ecocêntricos (centrados na Terra), reconhecendo o valor inerente de vida não humana. Portanto os valores poderiam estar voltados para o tipo de transporte escolhido pela pessoa portadora de necessidades educacionais especiais: se for poluente, se usa material reciclável, se beneficia a saúde da pessoa ou a torna sedentária e dependente, se ocupa muito espaço, etc ...

A partir desses conceitos, precisaremos de um novo sistema de ética, diferente do atual, e nossos filhos deverão ser preparados para sobreviver no futuro entendendo os princípios básicos da ecologia: interdependência, reciclagem, parcerias, flexibilidade, preservação, respeito, cultivo e diversidade.

Neste momento a Escola, o educador e todos nós, precisaremos investir na consciência do nosso meta-pensamento, isto é, saber como se resolve um problema. Significa pensar em termos de conexões, relações, contexto, interações entre os elementos de um todo; de ver as coisas em termos de redes e comunidades. Como a cadeia alimentar, a cadeia de predadores que inclui o homem como o único que mata sem ter fome, que destrói sem ter motivos, apenas pela satisfação e onipotência de seu domínio sobre as espécies “inferiores”.

Levar o educando a saber pensar sistematicamente envolve capacitá-lo a ver "processos" em qualquer fenômeno, de ver mudanças (reais ou potenciais), crescimento e desenvolvimento, de compreender coisas através do conceito da gestalt (um todo é maior do que a soma das suas partes); de reconhecer que as nossas percepções são condicionadas pelos nossos métodos de questionamento e que a objetividade em ciência é muito mais uma meta do que um fato.

Ver o mundo em termos de sistemas interconectados envolve conhecimento de cibernética (padrões de controle e comando), e de como lidar com complexidade e com estruturas dinâmicas.

As próprias escolas têm que ser convertidas em organizações de auto-desempenho. A sobrevivência tanto nas organizações quanto de indivíduos dependerá mais de sua capacidade de funcionar com alto-desempenho do que de outros fatores, como monopólios, patentes, territórios exclusivos, sigilo ou localização. E as escolas que não se adaptarem á nova realidade serão colocadas à margem do processo. Todos os especialistas em (construção de equipes) trabalham exclusivamente em nível empresarial, enquanto as escolas acreditam que trabalho-em-grupo é uma coisa natural, espontânea, sendo que isto não é um fato, há necessidade do exercício e propostas para se desenvolverem de forma grupal, solidária, do contrário nada se modificará.

A capacitação dos professores daqui em diante precisará incluir técnicas que incentivem os alunos para cooperação, sendo o "trabalho em grupo" uma estratégia na sala de aula, o papel do professor como mediador dos alunos. O próprio educador precisa se tornar um agente de mudança trabalhando em grupo com seus colegas, com outras pessoas da escola.

As novas tecnologias de comunicação nos permitem individualizar a aprendizagem, deixando cada aluno navegar sobre vastos territórios de informação virtual, imagética e sonora, destacando os assuntos que agradam e isolando os que desagradam, aprofundando-se nas categorias de informação que se afinam com o seu "saber" individual de aprendizagem. Em conseqüência de estarmos vivendo na Era da Informação, um novo espaço de atuação profissional está sendo gerado, colocando de maneira paralela a Comunicação e a Educação.

Em tempos de reflexão e mudança de paradigmas, o Sistema Educacional também está sofrendo suas pressões. Começando através das novas correntes de aprendizagem, “o indivíduo constrói seu conhecimento em conjunto com o movimento sócio-cultural” (FREIRE, 1978), a relação professor/aluno, “Geração Net” (SOARES, 1998), e chegando a mudança da identidade do educador do século XXI, o “Educomunicador” (SOARES, 2000) , mediador das tecnologias de comunicação, desenvolvidas em conjunto com a teoria das Inteligências Múltiplas de H. Gardner, podem servir como um excelente espectro de tonalidades das disciplinas.

Esta proposta faz com que a escola, possa transforma a Mídia controladora em divulgadora, promotora de eventos, noticias de crescimento, dissolvendo a veiculação da desgraça, violência, sensacionalismo. A Escola precisa ser sensacional, espetacular. Os espetáculos da escola são preenchidos por desgraças, submissões a gangues de alunos, morte de educadores, evasão escolar, pichamento, repetência, superlotação de alunos por sala de aula. A violência escolar pode ser entendida como uma denuncia a própria violência perversa do sistema educacional em nosso país. O abandono, desamparo, a falta de possibilidades em atender demandas de crianças e jovens em suas necessidades do cotidiano. A família não é a mesma, sua estrutura mudou. Todos as patologias, e os desconfortos familiares chegam a escola, o professor, a equipe escolar sentem-se impotentes para lidarem com esta dinâmica afetiva, empobrecida que clama por saídas.

A sociedade atual exige pessoas detentoras de tipos diferentes de capacitação, com talentos variados, sobrepostos e mutáveis. Como um prisma que distribui a luz num campo visual, a teoria das múltiplas inteligências usada no planejamento educacional, cria condições para a produção de pessoas diferentes. Ela nos mostra como levar o aluno do material acadêmico, que serve como suporte até chegar às metas finais, permitindo que cada um adquira, do seu próprio jeito, através do seu próprio estilo individual de aprendizagem.

Sabemos que no futuro muitas pessoas terão uma jornada de trabalho mais curta do que a atual, e sobrará mais tempo para o lazer.

Um educando exposto na escola à literatura, às artes, à história e a geografia e às ciências, poderá se transformar no futuro um cidadão, que terá condições de acrescentar mais a sua vida em termos de prazer, crescimento emocional e sabedoria.

Sabemos que o novo paradigma está sendo proposto pela Biologia – a Genética (o universo visto como um e muitos organismos, entes auto-reprodutivos, se auto-organizados, levando a examinar as coisas em termos de seus relacionamentos externos, os seus contextos, a sua conectividade, o seu crescimento e evolução).

Estas idéias complementam duas outras correntes intelectuais que têm implicações fortes para mudanças em Educação: a inteligência artificial - cibernética (utilizada para examinar os processos cognitivos no ser humano e suas possíveis aplicações na construção de máquinas "inteligentes") e a vida artificial (estudo de sistemas criados artificialmente por robôs que exploram e constroem, vírus de software que matam outros vírus). Esse segmento inclui pelo menos algumas das características, ou propriedades, de "vida humana real" (por exemplo, crescimento, reprodução, auto-manutenção, auto-regulamentação, exigência de nutrientes e energia), pressupostos que levam a pensar sobre a evolução e o comportamento humano.

A escola da atualidade necessita ser mais flexível, ser inteira e representar a vida. Nossas escolas baseiam-se inteiramente em torno da noção de disciplina e comportamento. O educador das primeiras às quartas séries deixa de ser o “professor” para ser tornar o “professor de algo”, o professor das disciplinas das quintas às oitavas séries. Professor de geografia, professor de matemática, quando em última análise, deveria ser professor de gente, não de matérias. A escola corre atrás de resultados quantitativos, e deixa de ser de qualidade perdendo a oportunidade de entender como se chega aos resultados. Alunos mal comportados são excluídos do sistema, não há lugar para sofrimento humano, pensar a dor, afeto, é algo muito complexo para nossa escola abarrotada de alunos nas classes. Como ouví-los?, como criar espaços suficientemente humanos de intervenção ? Mas temos o jargão democrático para aferir “toda criança na escola”, mas ninguém pergunta: como?, de que maneira está na escola?, qual seu efetivo aproveitamento?, instalação?, qualidade?

Podemos criar várias disciplinas falando de cidadania, honestidade, etc... Os valores têm de ser vividos, vivenciados; a crise na educação não é outra coisa senão a perda de sentido, nos remete a idéia da educação ter um sentido colectivo.

Falamos de ética, valores, inteligências, em nossas escolas, mas será que a escola vive isso, afinal o que os alunos vivem na escola, salvo as excepções?

Não proponho respostas mas desenvolver nossa capacidade de pensar o cotidiano, talvez encontraremos diversas soluções paulatinas.

Reconhecer que podemos promover uma nova forma de aprendizagem, muitas vezes longe do que pretendíamos como objetivo principal, acredito que aí esteja a arte em ser educadora.

Ver o que não está no aparente, no pedagógico, no conteúdo programado, no concreto, mas considerar o crescimento humano que a pessoa adquiriu durante aquela experiência. Como educadora considero isso como relevante porque ficará por toda vida!
“Tudo isso é aprender. E aprender é sempre adquirir uma força para outras vitórias, na sucessão interminável da vida”. (Cecília Meireles).


BIBLIOGRAFIA:

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BAUDRILLARD, Jean. A sociedade de consumo. São Paulo: Elfos, 1995
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FREIRE, Paulo. Educação e Mudança, Rio Janeiro: Ed. Paz e Terra, 1970
________________Ação cultural para a liberdade e outros escritos. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981
FREUD,S. Além do Principio do Prazer, 1920. Rio de Janeiro: Ed. Imago,1980, E.S.B. Obras Completas S. Freud, vol. XVIII
HALL, Stuart. Identidade e Cultura na Pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 1997
LASCH, Christopher. A cultura do Narcisismo. Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1975
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1998
MARTÍN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 1997
QUADROS, Paulo da Silva. Ciberespaço e Violência Simbólica, Revista Comunicação e Educação, São Paulo: Ed. Segmento (21): 54 a 60 maio/ago.2001.
SOARES, Ismar Oliveira. Educomunicação: Um campo de mediações. Revista Comunicação e Educação, São Paulo: Ed. Segmento (19): 12 a 24 set/dez 2000
____________________Sociedade de informação ou da comunicação. São Paulo: Cidade Nova, 1997.

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