Nesta página encontra 2 elementos auxiliares de navegação:Motor de busca | Saltar para o conteúdo

Portal do Cidadão com Deficiência

Associação Portuguesa de Deficientes Delegação S.Miguel

Navegação

Em conformidade com a Acessibilidade Web:

Símbolo de
Acessibilidade à Web Acessibilidade Certificada Validação W3C WAI-AAA Validação W3C CSS Validação W3C XHTML

Biblioteca + - Imprimir

Inicio » Biblioteca » Documentos Privados » INCLUSÃO PREVENTIVA

INCLUSÃO PREVENTIVA

no dia 28 de Junho de 2013
INCLUSÃO PREVENTIVA

 

Marina S. Rodrigues Almeida
Psicóloga, Psicopedagoga e Pedagoga
marina@iron.com.br
18/09/2002

A proposta que trazemos de inclusão baseia-se num modelo de prevenção, inicia-se pelo conceito de preocupação materna primária, WINNICOTT(1993) pediatra e psicanalista inglês, descreveu esta atitude como sendo as primeiras providencias que a mãe inicia ao planejar a inclusão do projeto bebê/filho e posteriormente todos os demais cuidados dispensados durante a gravidez. Neste momento as fantasias podem ser elaboradas positivamente, favorecendo a criação de um espaço interno imaginário (na mente materna primeiramente) para depois aparecer um espaço externo real, aonde este ser humano será incluso e aceito. Portanto antes que exista o bebê concreto ele já está vivo na mente da mãe, vai ocupando e conquistando um lugar de identidade. Neste espaço imaginário, a mãe pode odiar seu bebê antes mesmo que ele a odeie, porque ao permitir a entrada do novo, do desconhecido do diferente e talvez “deficiente” (quando há presença de sentimentos persecutórios constantes), fere nosso narcisismo (nossa imagem de espelho perfeita e ideal). Ao mesmo tempo que a mãe alimenta as fantasias do igual, perfeito, feio, bonito aparece a ambivalência dos afetos: é a vez da luta entre amor e ódio, bem e mal, perfeito e imperfeito, aceitar e rejeitar, conhecer o desconhecido, medo do estranho, ou será familiar!
Este pressuposto teórico nos ajuda a compreender esta dinâmica relacional humana entre a maternagem imaginária e maternagem ambiente que poderá acolher ou excluir: dependendo da força dos afetos amorosos ou destrutivos. Se o predomínio forem por sentimentos perigosos e destrutivos, a defesa será o afastamento, a rigidez, o impedimento, a distância do outro, negação, não quero conhecer. Se forem predominados os sentimentos amorosos, reparadores e construtivos haverá continência, flexibilidade, compaixão, segurança, desejo de conhecimento.
Estes sentimentos podem ser vivenciados para a espera de um bebê ou no modelo de inclusão ao qual propomos sendo do portador de necessidades especiais. Consideramos que poderão estar neste inter-jogo emocional outras demandas (individuais, culturais) não pretendemos aqui ponderar de forma reducionista, apenas olhamos esta situação por um vértice.
Se as instituições quaisquer que sejam familiares, escolares, sociais ou empresariais quiserem se constituir como espaços que acolham as diferenças a meta não deve ser necessariamente enquadrar, mas sim ajudar o “diferente” a encontrar um lugar social, uma identidade. Poderá auxiliá-lo a encontrar respostas por diversas vias, através de outras formas de conhecimento e possibilidades. Entra aqui as Teorias das Inteligências Múltiplas, a flexibilidade, as competências e habilidades intelectuais humanas.
O que chamamos de preocupação materna primária, representa uma metáfora para a escola, para os professores e para os funcionários se prepararem para receber o possível educando incluso.
Lembremos que o desafio psicanalítico foi, desde o início, propiciar a escuta das diferenças e contribuir para que o sujeito possa encontrar seu bem estar dentro delas.
Trabalhar com o portador de necessidades educacionais especiais exige a disponibilidade (interna e externa – maternagem imaginária e maternagem ambiente suficiente) da equipe administrativa escolar, disponibilidade do educador, dos pais e do aluno.
O objetivo principal desta intervenção é seu caráter preventivo, gradativo, promovendo o pensar sobre a Inclusão, sua representação simbólica em nós seres humanos; através da sensibilização, conscientização e informação sobre inclusão no meio escolar.
Consideramos o meio escolar como sendo TODOS os componentes da escola: equipe administrativa (diretores, assistente de direção, coordenador, orientador, pessoal da secretaria), professores, merendeiras, auxiliares, serventes, porteiros e pais dos educandos em classes especiais e inclusos.

Propomos como forma de intervenção:

. Informar os educadores preparando-os para cumprir responsabilidades de incluir educandos com necessidades educacionais especiais.
. Sensibilizar o comprometimento dos membros escolares e familiares para garantir que os educandos portadores de necessidades educacionais especiais recebam maior apoio possível para se beneficiarem do ensino escolar.
. Desmistificar o paradigma da Inclusão do portador de necessidades especiais.
. Promover a parceria dos educadores tanto de classes especiais e classes regulares.
. Acolher os Pais que têm seus filhos matriculados em classes especiais ou inclusos.

Atingir os seguintes aspectos:

. Conceituar Inclusão e Integração.
. Noções básicas da legislação vigente.
. Utilização do Manual Informativo para Educadores e para Pais sobre Inclusão e Educação Especial - criado para esta proposta.
. Informar sobre as deficiências : Mental, Sensorial (auditiva e visual), Física e Transtornos Invasivos do Desenvolvimento.
. Esclarecer dúvidas no convívio com o portador de necessidades educacionais especiais (Manual Como Ajudar Um Portador de Necessidades Especiais - criado para esta proposta).
. Esclarecer síndromes e deficiencias de interesse geral.
. Discussão sobre valores e preconceitos.
. Intervenções singulares da prática pedagógica para o atendimento educacional dos portadores de necessidades educacionais especiais.

Consideramos que a educação regular sofre as mesmas conseqüências da educação especial, vejamos: o aumento dos “educandos fracassados”, o índice de educandos apresentando dificuldades de aprendizagem, educandos na faixa etária entre 9 a 13 anos que não logram sucesso se quer para a possibilidade de se alfabetizarem, são todos excluídos em algum nível. Estes dados demonstram a ineficácia pedagógica, pouco acolhedora do nosso sistema educacional. Denuncia a perversão da educação compartimentada, massificada, desamparada, perdida, procurando se encontrar (não podemos desconsiderar os inúmeros esforços e mudanças em nosso sistema educacional), e concomitante aparece a injustiça social.
Não estamos destacando os culpados, procurando reducionismos ou casualidades, mas sobremaneira reflexões dos acontecimentos multifatoriais ao longo da nossa história educacional. Só assim compreenderemos os fatos e promoveremos mudanças.
Precisamos aprender a pensar primeiro só depois tentar timidamente dar um passo a frente. Algumas vezes precisamos dar dois passos para trás para conseguirmos manter nossa caminhada rumo aos nossos ideais. Este é o diferencial: saber qual é o rumo, meta, objetivo, do contrário saímos dando “tiros na água”. Este jeito mencionado é frustrante, gera insegurança, incapacidade e por conseqüência promove a falta de esperança de que nada possa mudar.
A educação, precisa ser revista, pensada, norteada, porque hoje temos a concepção extremamente abrangente de "necessidades educacionais especiais” : implica que, potencialmente, todos nós possuímos ou poderemos possuir, temporária ou permanentemente, algum tipo de "necessidades educacionais especiais" durante nossas vidas! Portanto não há porque haver dois sistemas paralelos de ensino, mas sim um sistema único, que seja capaz de prover educação para todo educando.
Precisamos unificar o sistema educacional, por em prática nossos direitos, deveres como cidadãos. Para tanto implica em rever questões muito sérias que só serão resolvidas paulatinamente.

Destacamos algumas intervenções passíveis de mudanças:

. Uma política adminstrativa humanística e não depositária, podemos começar por nossa escola, não há necessidade de iniciarmos tudo numa macro esfera de valores.
. Organização dos espaços escolares: como números de alunos por sala de aula,números de alunos inclusos por sal de aula;
. Capacitação dos professores de forma contínua, sistemática;
. Acessibilidade;
. Terminalidade seguindo um enfoque de promover independência, autonomia, subsistência suficiente para um futuro senil.
. Parcerias com os sistemas de saúde, sociais e jurídicos, ONGs, Terceiro Setor.

Nenhum começo é fácil, os esforços e investimentos só parecerão utópicos se vistos de forma imediata.).
Para transformamos qualquer coisa na vida, em destaque ao ser humano, requer fundamentalmente do pensar sobre as ações afetivas e práticas, de maneira preventiva, avaliando suas conseqüências, revendo acertos e erros; é processo, é construção, é interrelação.
A inclusão não é uma ameaça, não é uma terminologia nova, não é fazer de meu filho cobaia da inclusão, transformar o educador em especialista ou generalista, nem a escola num depósito de seres humanos amontoados, nem muito menos num arsenal de práticas mágicas-pedagógicas que venham atender todas as singularidades.
Entendemos a inclusão como uma questão histórica, evolução da humanidade, onde gente deverá ser atendida suas necessidades como sendo da espécie humana, não é poesia romântica, é fato possível, talvez para nossos netinhos, bisnetos.
Cabe a cada um de nós ir encontrando sua “ponte” com um outro, o relevante é a luta pela inclusão, porque é para toda a vida. Outros excluídos aparecerão, não vamos buscar os resultados, mas as soluções para os problemas, que talvez nunca tenham respostas.
Este é o mistério implacável da vida, conviver com o não saber, chamo isto de capacidade para ser humilde frente as nossas limitações humanas!

Bibliografia:

FREUD, S. Estudos sobre Histeria , 1920. Rio de Janeiro: Ed. Imago,1980, E.S.B. Obras Completas S. Freud, vol. XVIII
_____________ Sobre o Narcisismo: uma introdução, 1914. Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1980, E.S.B. Obras completas S. Freud, vol II
____________ O interesse da psicanálise para as ciências não – psicológicas, 1913 Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1980, E.S.B. Obras completas S. Freud, vol XIII
LAJONQUIÈRE , L e Kupfer M. C (org.) A psicanálise e os impasses da educação, in Anais do I Colóquio do Lugar de Vida/LEPSI, São Paulo: Edusp, 1999
LAJONQUIÈRE , L Infância e ilusão psicopedagógica, São Paulo: Ed. Vozes, 1999.
WINNICOTT, Donald W. Textos selecionados: da pediatria a psicanálise. Rio de Janeiro. Ed. Livraria Francisco Alves, 1993
_____________________O brincar e a realidade. Rio de Janeiro : Ed. Imago, 1985
PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 1975
FABRICIO, Nívea M. C. Psicopedagogia Avanços Teóricos e Práticos. São Paulo. Ed. ABPp, 2000.
HALL, Stuart. Identidade e Cultura na Pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 1997
LASCH, Christopher. A cultura do narcisismo. Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1975
OMS. Classificação Internacional de Impedimentos, Deficiências e Incapacidades.1980.
BUSCAGLIA, L. Os Deficientes e Seus Pais: um desafio ao aconselhamento, Record, Rio de Janeiro, 1993
POWELL, T.H. & Ogle, P.A. Irmãos Especiais. Maltese. São Paulo, 1992
RAMOS, T.C.L; Hoffmann, V.M.B.; Regen, M. As Dificuldades de Transmitir a Notícia: Pesquisa junto a Pais de Pacientes Portadores de Síndrome de Down. In: Revista Brasileira de Deficiência Mental, 1985.
MAGALHÃES. A C.; Veloso. A. L.; Aquino, E.de; Mader, G.; Cortez, L.; Souza, M.; Regen, M. Família e Profissionais: rumo à parceria - Manual para profissionais. FENAPAEs, Brasília, 1997
BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano, compaixão pela terra. Petrópolis: Vozes, 1999.
WALDOW, Vera R.Cuidado humano: o resgate necessário. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1998.
DILLY, C. M. ; FESUS, M. C. P. de. Processo educativo em enfermagem: das concepções pedagógicas à prática profissional. São Paulo: Robe, 1995.
SZYMANSKI, Heloisa. A relação família/escola: desafios e perspectivas. Brasília: Plano, 2001.
SEN, A . Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Campanhia das Letras, 1999.
AMATUZZI, M.M. Crescimento e ajuda: veredas em psicologia. São Paulo: Cortez, 1980.
DIAS. O que família? São Paulo: Brasiliense, 1990.
PRADO. O que é terapia familiar? São Paulo: Brasilense, 1990.
RUDIO, F. V. Orientação não-diretiva na educação, no aconselhamento e na psicoterapia. 13ed. Petrópolis: Vozes, 1999.
EVELIN, H. B. O diagnóstico individual. São Paulo: Cortez, 1982.
PINEL, H. Relatos de práticas educativas extra-escolares planejadas, executadas e avaliadas nos meus ofícios de ser. Vitória: Pessoal, 2001.
SILVA, Lídia M. M. R. Serviço social e família: a legitimação de uma ideologia.2ed.São Paulo: Cortez,1982.
BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, M. de L. T. Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. 13ed. São Paulo: Saraiva, 1999.
ARIÉS, Philippe. História Social da Criança e da Família. Guanabara, Rio de Janeiro, 1981.
CARVALHO, Maria do Carmo Brant de (org).A Família Contemporânea em Debate. Educ e Cortez, São Paulo, 1997.
KALOUSTIAN, Sílvio M. (org.) Família Brasileira - a base de tudo. UNICEF e Cortez, São Paulo,1998.

EM DESTAQUE

PRÓXIMOS EVENTOS

Mais Eventos

INQUÉRITO

Março é o mês da Saúde dos Pés. Já consultou um Podologista?

  • Sim
  • Não