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UM NOVO MILÉNIO,

no dia 28 de Junho de 2013
UM NOVO MILÉNIO,

 

UM NOVO MILÉNIO,
UM NOVO OLHAR SOBRE A
PESSOA HUMANA



Ao concluir-se uma década, um século e por sinal um milénio seria uma belíssima oportunidade de se fazer uma retrospectiva de como surgiu a necessidade, humanamente aceite por todos, de se iniciar uma política de habilitação, reabilitação/formação e consequentemente inserção e integração não só social como também laboral dos cidadãos que por força das Suas Próprias circunstâncias carecem de necessidades especiais. Devemos procurar acima de tudo fazer um grande esforço para banir do vocabulário quotidiano as expressões: Deficiente e Pessoa Portadora de Deficiência; expressões que à partida não têem cabimento numa filosofia de vida - num tempo que se afirma de modernidade material, mas que também o deverá ser num plano mais elevado como o Espiritual - onde todo o ser humano é, e deve-o ser, encarado como Pessoa Única e, por isso, isento de uma medida qualitativamente padronizada. As Suas dificuldades são normais, inserido num grupo de outros tantos que também têm as Suas. Daí pensar-se – erradamente - na quase incompatibilidade com os restantes seres humanos, e por conseguinte a estrutura social. É limitador o uso desses adjectivos; parecem inofensivos, mas vão limitar, à partida, todo o percurso de um ser humano, que se busca intensamente a si mesmo e a sua própria autonomia no sistema Social ao qual nunca deixou de pertencer. Só assim é possível construir-se uma sociedade mais Humana, mais Equilibrada, mais Justa e mais Fraterna.
Esta Filosofia sustenta uma ideia real de : Todos diferentes – entre Si – e todos iguais – perante os outros na sociedade; porque nesta somos todos chamados a prestar as nossas contas, individualmente, para com ela, e para com o Estado : de igual para igual, sem atropelos. Pois este faz tábua rasa em todas as circunstâncias.
Na sociedade humana sempre existiram – e hão-de existir - Pessoas, e, ou indivíduos, com necessidades adaptadas; contudo, é sabido que é essa mesma sociedade que, ao não conseguir definir-se, embarca na pré-concepção de ideias, e estereótipos, sem fundamento, por ignorância, questões religiosas e/ou étnicas, por pudor e vergonha da exposição de uma falha – que o não é - no seio da própria família; por não saberem qual o comportamento que deveriam adoptar. Pelo simples facto de desconhecerem as suas próprias capacidades enquanto Família.
Por esse facto, sempre se abstiveram da exposição dessas Pessoas - que também são seres humanos - e que, por isso, em nada diferem dos outros seus semelhantes.
A grande mudança no comportamento social, deu-se com o rebentar da Revolução Industrial, nos finais do século XIX; quando a máquina a vapor passou a executar tarefas que antes eram manualmente desempenhadas pelo ser humano, passando, por isso, o ser humano para um plano, quase, secundário; e se por qualquer motivo de ordem física, psíquica ou sensorial - não conseguisse desempenhar, autonomamente, um papel minimamente produtivo, e rentável; porque muito pouco ainda se sabia à cerca das capacidades intrínsecas deste para superar as suas próprias dificuldades; passavam-no para um lugar puramente secundário. Pois, existindo a máquina poder-se--ia dispensar essas pessoas, ainda que erradamente.

A mudança inevitável, deu-se no início do século XX, quando a Europa se viu envolvida pela 1ª vez, numa Guerra Mundial; e por isso, foi invadida por uma multidão de estropiados quase impossível de conter e esconder. Foi o primeiro passo para caírem por terra, todas as filosofias – Político/Religiosas - até então vigentes, da ocultação do que de mais evidente se deparava aos olhos de todos.
Mas há, no meio de tudo isto, que dizer que pela existência de uma “multidão” de seres humanos mutilados de guerra a medicina de recuperação e reabilitação, bem como das disciplinas da psicologia - psicanálise e psicoterapia - provocaram uma evolução substancial no conhecimento do próprio Homem Psicológico e até, na descoberta gradual das capacidades intrínsecas para ultrapassar não só as suas próprias dificuldades físicas, como também, psicológicas.
Nesses campos, os avanços saltam à vista de todos. Mais uma vez desta feita após a 2ª Grande Guerra os conflitos coloniais tornaram-se visíveis e gritantes as mutilações dos que por lá passaram, atendendo a que foram bem mais sofisticadas que as anteriores.
Surgiram, posteriormente, na Europa, os movimentos contestatários, pacifistas e reivindicadores – como o Maio de 68, entre outros – de valores como: Liberdade, Justiça, Dignidade e Igualdade da Pessoa Humana que, sob uma Europa ainda a reorganizar-se e a renascer das cinzas, imprimiram à sociedade, Europeia e até, Mundial, um ritmo de tal forma alucinante, que esta de tão confusa estar na procura de dar solução, e execução, às ideologias – políticas ou não – emergentes, se está a tornar tendencialmente cega aos problemas reais daquele, e para quem, esta foi criada; ao ponto de se ter criado um vazio intelectual e Espiritual, e uma cegueira funcional, de tal forma grave, que quase sem nos apercebermos disso, se caminha para a robotização; e consequentemente, para um Sedentarismo Intelectual do ser humano. Em consequência disso, estão quase a deitar-se por terra Valores – arduamente Conquistados para a Dignificação da Pessoa Humana - em detrimento de outros existentes, de cariz materialista, que não fazem parte da Natureza humana; e por conseguinte, sem Espírito de Razão estão a destruir valores, arduamente alcançados, como Direitos Humanos, Liberdade e Direitos Individuais; deste habitante do Planeta Azul, ou não fosse ele quem não conhece as formas de se controlar, a si mesmo, e moderar os seus próprios Sonhos; porque, naturalmente, tende a optar por uma via – a do menor esforço, quer físico quer mental; mais fácil e mais leve - intelectualmente – e o que é mais grave, do ponto de vista humano, - por ser causador de grandes desiquilibrios.

Vem tudo isto a propósito, de eu afirmar, e reafirmar, categoricamente, que nos tempos actuais, a Espinha dorsal da Habilitação/Reabilitação, do cidadão com necessidades especiais e/ou específicas, se encontra posicionada no local onde deveria estar o Esterno.
Afirmo isso, porque se continua, erradamente como tenho vindo a demonstrar, a equacionar em primeiro lugar, as necessidades da Sociedade; e não do seu Objecto: o ser humano.
Procura-se preestabelecer – muitas vezes à revelia deste - qual o papel, mais rentável no ponto de vista macro- económico, que esse tipo de pessoas podem e/ou devem desempenhar na sociedade; ignorando-se que elas têem, e devem-na ter, cada vez mais, uma palavra a dizer, à cerca do destino que pretendem dar à Sua Vida. Porque, acima de tudo, Ser-se Livre, é ser-se dono do seu próprio Destino. Mas, sempre tendo em ressalva a capacidade desse Indivíduo.

Ser Pessoa, integrada num sistema, é acima de tudo, fazer-se parte dele mesmo; e contribuir, com a sua maneira de estar neste, para um Bem Comum. Por isso, tem que se ser considerado como sendo Parte desse Todo; e deixar de ser, de se sentir, um fardo, não só para a família, mas, também, para a sociedade; e até, para o Estado, que, por assim dizer, pode mais facilmente, distribuir uma mais valia - o Produto interno Bruto (PIB) - quantitativamente mais equilibrada; pois, todos, sem excepção, somos parte activa para a sua obtenção.

Permitam-me só um pequeno exemplo prático;
Se, se tiver em cima de uma mesa um Puzzle, e ao chegarmos ao fim da sua execução depararmo-nos com a inexistência da última peça, por muito que o queiramos completar, de forma alguma iremos encontrar, nas caixas de outros Puzzles, uma peça que o permita concluir.

Também na Vida devemos actuar do mesmo modo; assim, há que fazer um esforço para tornar todos os cidadãos – as Peças desse Puzzle – capazes de, cada qual à sua maneira, ser-se a dita Peça que permite que o Puzzle fique completo; e, não o inverso; ou seja: andarmos à procura no tal Puzzle – a Sociedade Produtiva – do lugar onde esta se encaixe perfeitamente, sem danos Psicoestruturais.

Protágoras afirmou, há 2500 anos,
O Homem é a medida de todas as coisas.

E, Lenine afirmou-o, já no século XX:
O Homem, é o capital mais precioso da Humanidade.

Como medida e capital que somos de uma sociedade interactiva, devemos consciencializá-la para a importância que cada um tem no seu desenvolvimento quer a nível económico, social, ou cultural.
Só uma sociedade devidamente informada terá capacidade de viver e conviver de forma absolutamente descomplexada com a realidade de cada um, abrindo-se aos seus problemas de uma forma empenhada para os resolver, aceitando-nos como parte integrante da mesma, dando-nos o devido valor e patrocinando assim, a nossa integração, ajudando a que não se desperdice nem uma única migalha, deste Divino Alimento da Vida.


José Pedro Amaral
(2000)

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