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Identificado possível biomarcador para o autismo

no dia 14 de Março de 2017

Num estudo conduzido pelo Instituto UC Davis MIND, Universidade da Carolina do Norte, EUA, e outras instituições, foi apurado que as alterações na distribuição do líquido cefalorraquidiano (LCT) em bebés de alto risco podem prever o desenvolvimento de perturbações do espetro autista (PEA).

O LCR é produzido pelo cérebro e era considerado como um amortecedor de choques neurais, evitando que o cérebro batesse contra o crânio. Mais recentemente foi descoberto que p LCR pode influenciar a migração neuronal e outros mecanismos associados ao desenvolvimento do cérebro, bem como remove moléculas perigosas.

ESte estudo vem comprovar investigação anterior conduzida no Instituto MIND, a qual demonstrou que o aumento de LCR no espaço subaracnóide (perto do perímetro do cérebro) apresentava um aumento no risco de autismo.

Para este estudo, que tinha como objectivo testar se realmente o LCR poderia indicar um risco maior de desenvolvimento das PEA, os investigadores analisaram ressonância magnéticas de 343 bebés, sendo que 221 tinham irmãos mais velhos com PEA e apresentavam assim um risco maior de virem a ser autistas. Os outros 122 bebés não tinham história familiar de autismo. Foram analisadas ressonâncias magnéticas efetuadas aos seis, 12 e 24 meses de idade dos bebés.

Foi observado que os bebés que desenvolveram posteriormente PEA, apresentavam uma quantidade significativamente superior de LCR no espaço subaracnóide aos seis meses de idade em relação aos que não desenvolveram autismo.

Nos bebés de alto risco de autismo os que foram posteriormente diagnosticados com a doença apresentavam 18% mais de LCR no  espaço subaracnóideo. Estas medições previram o desenvolvimento de PEA no grupo de alto-risco com uma precisão de cerca de 70%.

Mark Shen, autor principal do estudo observou que "quando mais LCR havia no espaço extra axial aos seis meses, mais severos eram os sintomas de autismo quando as crianças foram diagnosticadas aos 24 meses de idade".

"Normalmente o autismo é diagnosticado quando a criança tem dois ou três anos e começa a demonstrar sintomas comportamentais; actualmente não existem biomarcadores precoces", explicou David Amaral, diretor de investigação no Instituto MIND e coautor sénior neste estudo. "O facto de podermos ver uma alteração na distribuição do líquido cefalorraquidiano em ressonâncias magnéticas já aos seis meses de idade é um achado significativo", concluiu.

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