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Há três milhões de hipertensos em Portugal

no dia 16 de Maio de 2017

Cerca de 42% dos portugueses têm valores anormais de pressão arterial. Contas feitas, isto significa que há qualquer coisa como três milhões que sofrem de hipertensão no nosso país, doença que afeta mais os homens (44%) do que as mulheres (40%). Uma situação preocupante e que motiva, no Dia Mundial da Hipertensão, o alerta de Pedro Marques da Silva, coordenador do Núcleo de Estudos de Risco e Prevenção Cardiovascular da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI). Tanto mais que “25% dos hipertensos não sabem que têm uma pressão arterial elevada”.

“Infelizmente, hoje ser hipertenso é saber que está muito e largamente acompanhado”, confirma o especialista. Acompanhado pelos que se preocupam com a doença, pelos que não sabem que a têm e pelos outros, aqueles que, refere o médico, “não tomam os medicamentos ou recusam, consciente ou inconscientemente, as propostas de estilos de vida que lhe foram indicadas: comer sem sal, emagrecer, deixar de fumar…”.

Por cá, cerca de 25% dos indivíduos com hipertensão arterial não tomam medicamentos. A culpa, explica Pedro Marques da Silva, não morre aqui solteira. “Os médicos, o sistema de saúde, as preocupações de todos os dias, o dinheiro que não estica também ajudam. Mas já que temos que tomar um medicamento, pelo menos que consigamos baixar a pressão arterial.” No entanto, “dos hipertensos que estão medicados, só 42% estão controlados”.

Um controlo que passa por cada um, até porque “a subida da pressão arterial pode ser evitada”. E quando existe, pode também ser tratada, determinando “uma redução muito significativa no risco de ocorrência de um qualquer acontecimento indesejável cardiovascular (uma trombose cerebral ou um enfarte do miocárdio, por exemplo”.

Mas afinal de que se trata quando falamos de hipertensão? O médico explica. “Fala-se de hipertensão arterial quando há uma elevação da pressão sanguínea nas artérias, ou seja, quando o sangue - o fluxo sanguíneo - exerce, nas artérias, uma força maior do que a habitual. É esta pressão excessiva, deslocada, não fisiológica que, em última análise, acaba por causar danos nos vasos, no coração, no cérebro ou nos rins.”

No que diz respeito à pressão arterial, nem sempre apresenta os mesmos valores, adaptando-se a diferentes circunstâncias. “Varia consideravelmente durante o dia e, naturalmente, também durante a noite”, refere Pedro Marques da Silva, que considera essencial saber como medir e quais os valores saudáveis. “Quando mede a pressão arterial, são-lhe ditos dois valores. Por exemplo, 134/82 mm Hg (milímetros de mercúrio): o primeiro número (134), mais elevado, produz-se quando o coração se contrai (sístole) e é a pressão arterial sistólica, máxima; o segundo (82), menor, corresponde à relaxação entre um batimento e outros (diástole) e é a pressão arterial diastólica, a mínima.” Geralmente, na hipertensão, tanto a pressão máxima como a mínima estão aumentadas.

Há atitudes e comportamentos que se sabe estarem na origem do problema que é urgente modificar. “A atividade física regular que deixamos de fazer, a comida em demasia, o peso quem tem vindo a aumentar, o saleiro que insistimos em pôr na mesa… tantos gestos, tantos sinais de que a hipertensão arterial pode estar a chegar…”, acrescenta o médico, que defende que “um projeto de saúde cardiovascular só é atingido em pleno quando conseguimos ultrapassar as barreiras de informação, postura e comportamento”.

 

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