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Olho Artificial para Cegos

no dia 01 de Janeiro de 1970
Oito pessoas completamente cegas podem hoje "ver" o suficiente para se orientarem sem ajuda no espaço circundante porque conseguem percepcionar contornos, formas e, em alguns casos, cores, graças ao implante de um "olho electrónico" desenvolvido ao longo dos últimos 30 anos por uma equipa do Dobelle Institute, à qual está ligado o neurocirurgião português João Lobo Antunes.
O dispositivo de visão artificial "permitiu a dois dos pacientes conduzir um automóvel sem ajuda, num circuito privado", adiantou ao DN, em contacto telefónico, o médico americano William Dobelle, o "pai" do dispositivo. O sistema foi implantado em Abril, por meio de cirurgia, nos oito pacientes, no Hospital da CUF, em Lisboa, justamente por João Lobo Antunes, com a colaboração de John Girvin, que dirige o departamento de neurocirurgia do Hospital King Faisal, na Arábia Saudita, e também do neurocirurgião português Domingos Coiteiro.
O grupo anuncia hoje em Nova Iorque, no âmbito do 48. Encontro da American Society for Artificial Internal Organs, os resultados da implantação do "olho electrónico" nos oito pacientes. O Instituto Dobelle passa também a disponibilizar comercialmente o seu sistema de visão artificial.
Para o início de Julho estão entretanto agendadas mais duas operações no Hospital da CUF, para implante destes dispositivos de visão artificial. E em Setembro e Outubro voltará a haver ali mais operações destas.
O sistema, no qual Dobelle começou a trabalhar em 1968, inclui uma pequena câmara de vídeo digital, aplicada a uma das lentes dos óculos e ligada a um sistema computorizado, por sua vez conectado através de eléctrodos ao córtex visual do paciente.
O primeiro protótipo ficou operacional há dois anos e foi implantado a um cego que ficou conhecido por Jerry e que através do "olho electrónico" passou a conseguir distinguir obstáculos no espaço e a ler letras de grande dimensão, tornando-se autónomo na sua mobilidade.
Mas o que há dois anos era um caso multiplicou-se agora por oito e hoje o sistema está tão melhorado que permitiu a dois dos pacientes implantados em Abril guiar um carro num caminho privado. Dobelle espera, no entanto, que "um dia estas pessoas possam mesmo vir a conduzir um automóvel em condições normais de trânsito". Uma expectativa que ainda não tem qualquer horizonte definido, mas que está alicerçada "no ritmo de desenvolvimento tecnológico incrível a que estamos a assistir", sublinha o médico americano.
Em apenas dois anos, o sistema de visão artificial Dobelle sofreu muitos melhoramentos e o ritmo dos progressos foi neste curto período impressionante. Isto depois de nos 25 anos anteriores, a partir do momento em que William Dobelle pensou pela primeira vez na questão e começou a trabalhar nela, até ao momento que Jerry começou a "ver", há dois anos, o processo ter sido muito mais lento.
Os progressos são visíveis. Enquanto o dispositivo aplicado a Jerry - também pelo neurocirugião João Lobo Antunes - contava com apenas 17 eléctrodos implantados no córtex visual, os cegos operados em Abril na CUF têm um total de cem électrodos implantados cada, também no córtex visual, mas nos dois hemisférios cerebrais. O sistema é, pois, nesta altura mais poderoso e mais rápido. Sendo uma tecnologia experimental, é promissora e tem potencial, embora não se aplique a todos os tipos de cegueira.
De acordo com William Dobelle é necessário que os candidatos a esta cirurgia, cujos custos são da ordem dos 75 mil dólares (79,8 mil euros, ou quase 16 mil contos), não sejam cegos de nascença. "Não sabemos o que aconteceria em casos de cegueira congénita. O córtex visual desenvolve-se durante os primeiros seis anos de vida. No caso da cegueira congénita há, portanto, aí, um problema", diz Dobelle, sublinhando que "só um por cento dos invisuais são cegos de nascença". Quanto aos outros, é essencial que "não tenham quaisquer danos no córtex visual e que entendam o carácter experimental destes dispositivos, que ainda podem evoluir muito, sobretudo ao nível do software".


Grupo Dobelle de Nova Iorque chegou a Portugal

Desde 1968 que o Dobelle Institute, Inc., de Nova Iorque, tem trabalhado na Visão Artificial para Cegos, tendo atingido os objectivos em 2000, com os primeiros resultados operacionais. A partir de 1983, alargou a sua base de trabalho a países europeus. Mais recentemente foi criado o Dobelle Institut de Portugal, de modo a facilitar a comercialização dos sistemas de visão artificial. A actividade da empresa inclui também a criação de pacemakers para autonomizar a respiração de doentes dependentes de ventilador.

vanço: João Lobo Antunes dá passo pioneiro

João Lobo Antunes não estará em Nova Iorque quando ali forem hoje anunciados os resultados dos implantes dos dispositivos para visão artificial que realizou, em Abril, em oito pessoas com cegueira total adquirida. Seriam menos três dias para os doentes. E, diz no seu jeito sereno, "não sou lá necessário". Mas não tem dúvidas de que o que aconteceu é histórico e até marcante para este início de milénio. "Este é ainda um procedimento experimental mas contém muitas promessas", sublinha o neurocirurgião português. Para este tipo de cegueira, desde que o córtex visual esteja intacto, esta será provavelmente a única via para a autonomia.
A operação dura cerca de quatro horas, é feita com anestesia geral e é um processo delicado. Mas os passos e os procedimentos estão agora estabelecidos, despois desta primeira série de oito voluntários que se submeteram à cirurgia. Um detalhe que tem o seu peso. Mas ainda há muito caminho para andar.
Para já, há dois resultados saídos desta primeira série de oito intervenções que são dignos de nota. O primeiro é que ficou demonstrado, nomeadamente no caso do americano Gerald - que cegou na Segunda Guerra Mundial, quando foi atingido durante a invasão da Normandia -, que o córtex visual ainda funciona bem, mesmo depois de uma cegueira muito prolongada: 57 anos no seu caso. O segundo tem a ver com a visão de cores e "foi ainda mais surpreendente", confessa João Lobo Antunes.
Quando o córtex visual é estimulado, produzem-se os chamados fosfenos, que consistem na visão de pontos luminosos, na sequência dessa estimulação. O que aconteceu com alguns destes oito pacientes - e não sucedeu com Jerry -foi que tiveram fosfenos coloridos. Um resultado pioneiro.
Se todas as promessas deste "olho electrónico" se cumprirem, então inúmeras pessoas com cegueira adquirida poderão eventualmente vir a beneficiar do seu implante. Nunca será uma visão inteiramente normal, mas possibilitará a autonomia a essas pessoas.
O facto é que, segundo estatísticas internacionais, só cerca de 15 por cento dos cegos são completamente autónomos na sua mobilidade, utilizando processos tradicionais, como os cães treinados ou as bengalas.

O que podem esperar, então, os invisuais deste novo sistema?

"é preciso que as pessoas saibam que ainda há muito para melhorar", avisa o neurocirurgião português. Um dos problemas que subsistem é o risco de infecção, porque não há forma de isolar completamente o interior da caixa craniana em relação ao exterior. Para ser aplicado, este dispositivo exige um suporte, uma espécie de ficha aplicada no couro cabeludo, ao qual são ligados os fios externos que vêm do computador e, assim, entram em contacto com os eléctrodos implantados. As coisas têm corrido bem, mas "os riscos de infecção ainda não estão completamente quantificados", explica Lobo Antunes.
Depois, além deste dispositivo só ser aplicável a pessoas com cegueira adquirida e córtex visual sem danos, há ainda a aprendizagem deste tipo de visão, a que os pacientes têm de se submeter depois da operação.
São tudo questões que ainda estão a evoluir. Mas se o problema das infecções é mais complexo e incontornável, porque não há outro processo tecnológico de conectar os eléctrodos implantados com o computador externo, há, por outro lado, muito que pode ser melhorado no software utilizado, para permitir melhor definição de imagem e melhor visão. Uma coisa é certa, João Lobo Antunes, que começou a trabalhar com o médico William Dobelle em 1975, nos Estados Unidos, sente-se muito satisfeito por participar nesta grande aventura.

Oito operações discretas no Hospital da CUF

Poucos se aperceberam de que em Abril passado se fez história no Hospital da CUF. Oito cegos estrangeiros vieram a Lisboa para se submeterem às primeiras operações de implantação do novo sistema de visão artificial, pela mão de João Lobo Antunes. As cirurgias foram um sucesso, mas a notícia não atravessou as paredes do hospital.
Os pacientes sujeitos ao implante regressaram aos seus países para uma nova vida, depois de muitos anos de dependência. O canadiano Jens, de 39 anos, os norte-americanos Dennis, de 27, Gerald, de 77, e Keith, de 42, o inglês Kenneth, de 70, a italiana Marina, de 41, o argentino Edmundo, de 51, e o alemão, de 51, tiveram uma recuperação rápida e não sofreram infecções pós-operatórias.
Apenas Klaus nasceu já cego do olho direito e perdeu mais tarde a visão do esquerdo, devido a uma infecção. Os restantes cegaram na sequência de acidentes de automóvel ou de mota, erros de anestesia e queimaduras.
Os campos de visão variam, mas a totalidade dos pacientes conseguiram recuperar boa parte da autonomia, orientando-se no espaço sem ajuda. Quatro deles conseguem mesmo "ver" cores, mas todos podem visualizar as formas de pessoas e objectos, ao ponto de distinguirem nitidamente um lápis.
Gerald tinha 20 anos quando ficou cego durante uma explosão de morteiro na II Guerra Mundial e, 57 anos depois, "vê bons fosfenos". Klaus perdeu totalmente a visão aos cinco anos, ainda antes de o córtex visual estar totalmente desenvolvido. Hoje, com 68 anos, reencontrou o mundo com o "olho Dobelle". Terá sido também com grande emoção que Jens, 18 anos depois de cegar, conseguiu conduzir, embora muito devagar e não podendo recorrer aos espelhos retrovisores de fraca resolução. Os bons resultados nos pacientes com muitos anos de cegueira, permitem hoje aos cientistas afirmar que o tempo tem pouco efeito nos fosfenos.
Os oito implantes realizados por João Lobo Antunes foram "apenas" o culminar de uma longa história de investigação e experiências. As potencialidades do "olho Dobelle" ficaram provadas há dois anos com os bons resultados obtidos num voluntário. Jerry, de 62 anos, perdeu um olho aos 22 e ficou totalmente cego aos 36. Continuou a trabalhar como gestor em Nova Iorque até se reformar em 1997. Foi ele que se ofereceu para testar o aparelho.
No alto do crânio de Jerry foi aberto um buraco de cinco milímetros de diâmetro, no qual se encaixou um terminal com os fios que desciam até aos eléctrodos. O cabo ligava o cérebro a uma caixa que Jerry transportava na cintura com dois computadores. O primeiro enviava sinais ao cérebro e o segundo recebia sinais de uma microcâmara colocada no lado direito dos óculos. No lado esquerdo, havia um sensor de laser para medir a distância e a posição dos objectos. A imagem da câmara era traduzida em sinais que estimulavam os neurónios do córtex visual. Com o "olho Dobelle", Jerry passou a receber imagens semelhantes às dos ecrãs gigantes dos estádios para mostrar a pontuação das equipas. Dois anos passados, os oito implantados em Lisboa já beneficiaram de grandes melhorias no dispositivo.





[Fim da Notícia]

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