Dia internacional de deficiência
Resolveu a Comunidade celebrar nesta data o dia internacional de deficiência. Pretende-se recordar e dar a entender que se esta com aquele que nasceram ou adquiriram carências que os tornam parcial ou totalmente dependentes de outrem. Quem se atreve a deixar aqui a sua opinião nasceu cego, e já chegou aos 59 anos. Como qualquer cidadão, debate-se no dia a dia com os problemas inerentes à sociedade, em geral, e com aqueles que lhe dizem respeito, em particular. Todavia, num dia em que se celebra esta data, talvez não tenhamos o direito de nos debruçarmos sobre nós próprio; daí que opinemos sobre o contacto diário comunidade deficiência ambas terão muito que se dar mutuamente, assim como receber. O essencial seria desejar partilha equitativa, no tocante a deveres e direitos. Estima, respeito e consideração deveriam unir os cidadãos, no intuito que todos se auxiliam em reciprocidade. Mas será que estas celebrações, na prática, conduzem a alguma coisa útil? Ou não passam de mais um tratado de boas intenções, em que mais são protagonistas os manipuladores delas beneficiam mais que os próprios deficientes? Bom seria que o cidadão comum, aparentemente escorreito não confundisse, no bom ou mau sentido, defeitos físicos com intelectuais ou morais. Estes últimos são comuns a todo o ser humano. Sem citar o nome da deficiente motora que protagonizou este desagradável episódio, caímos na tentação de o deixar aqui, para que o público em geral se aperceba de que deve ter mais cuidado com determinadas intervenções lesivas da sensibilidade alheia. Esta moça atravessava a rua, com bastante dificuldade, quando é abordada por uma senhora que, sem mais ou menos. Lhe diz que ela certamente não terias a menor possibilidade de casar. Claro que, sendo ser humano de carne e osso, a interpelada foi aos arames, respondendo à letra: - Olhe, minha senhora: Se eu penso ou não no casamento, é assunto que não lhe diz respeito. E, para sua informação, devo dizer-lhe que estou toda completa. E, com gestos, demonstrou-lhe o que talvez as palavras não disseram. A outra foi-se embora, talvez carrancuda, porque raros são os que sentem necessidade de dar o braço a torcer. Se, com toda a franqueza, o cidadão dito normal tenciona coabitar com o deficiente, aproxime-se dele, considere-o normal, pensando que a qualquer momento pode também ficar com igual carência, procure saber ou quase adivinhar, se tiver tacto suficiente para tal, os anseios do que não pode usufruir deste ou daquele sentido. É preciso afastarmos do pensamento que mendicidade e deficiência não são sinónimos. Ao longo dos tempos tem sido bem difícil ultrapassar este obstáculo. Forçosa se torna a contribuição dos deficientes, que terão de provar através do seu árduo trabalho, se lho concederem que sabem desempenhar as missões que lhes confiaram com empenho. Quem, no nosso país,, e não falamos dos outros por desconhecimento, não carece de esmolas, independentemente de se ser são ou deficiente? Só os milionários, ou aqueles que menos trabalham e mais usufruem. Esta contestação talvez não seja muito chamada para aqui. Mas toda a nossa gente se mentaliza, quando se fala num deficiente, que ele precisa de todo o mundo para o fazer dar uma passada, ou até pôr os alimentos na boca. No nosso caso pessoal, as pessoas tinham o desplante de perguntar àquela que resolveu partilhar a vida connosco, se é que nos vestia, despia, dava banho, ou outras coisas que nem convém focar. Ela respondia que ter um homem só para a cama não compensava, e tinha a paciência de esclarecer tanta curiosidade absurda. Nós, os deficientes, precisamos mentalizar e esclarecer: A ocasião é que raramente se proporciona. Por isso aqui tentamos elucidar um pouco, no dia que nos concederam.
Fonte:Associação Portug. de Def.-S. Miguel
[Fim de Notícia]
Francisco M. Quarta
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