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Dia Europeu de Sensibilização para o Uso Racional do Antibiótico

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AUMENTO DE BACTÉRIAS RESISTENTES AOS ANTIBIÓTICOS E INEXISTÊNCIA DE NOVOS MEDICAMENTOS

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças alerta para os custos económicos elevados decorrentes das infecções hospitalares. Na União Europeia são infectadas cerca de 400 mil pessoas e morrem pelo menos 25 mil todos os anos devido a bactérias multiresistentes.

No Dia Europeu de Sensibilização para o Uso Racional do Antibiótico, que se assinala, hoje, dia 18 de Novembro, enfatiza-se a importância de tomar antibióticos de forma responsável, seguindo as orientações médicas. A resistência aos antibióticos é um problema crescente de saúde pública na Europa, pois o tratamento de patogénicos multirresistentes requer, muitas vezes, medicamentos mais caros e uma hospitalização prolongada. A falta de investigação e desenvolvimento de novos antibióticos aumenta o número de doentes que não terá um tratamento efectivo e disponível.

A prevalência de infecções causadas por bactérias frequentemente multirresistentes – chamadas nosocomiais ou hospitalares – é vigiada anualmente nos serviços de risco, tendo já sido reconhecida como um dos factores que mais contribui para a morbilidade e mortalidade hospitalar, além de aumentar os custos na prestação de cuidados de saúde. Há muitas razões para justificar as diferentes taxas de resistência aos antibióticos e podem-se citar: o uso de antibióticos, doenças de base, a qualidade dos cuidados hospitalares, taxas de imunização e factores sociais. Nem sempre é possível determinar a proporção de infecções resistentes causadas por um único factor.

As bactérias têm resistência a antibióticos quando os antibióticos específicos têm perdido a sua capacidade de matar ou parar o crescimento das bactérias. Algumas são naturalmente resistentes a certos antibióticos (intrínseca ou inerente resistência). Um problema mais preocupante é quando algumas bactérias, que normalmente são sensíveis aos antibióticos, tornam-se resistentes, como resultado de alterações genéticas (resistência adquirida). As bactérias resistentes sobrevivem na presença do antibiótico e continuam a multiplicar-se causando mais doença ou mesmo a morte. As infecções causadas por bactérias resistentes podem exigir mais cuidados, assim como antibióticos alternativos e mais caro, o que pode ter efeitos colaterais mais graves.

De entre 25 países europeus, Portugal está em quarto lugar no que respeita ao aumento continuado no consumo de antibióticos nos últimos anos. Portugal faz parte do grupo de seis países da Europa que mantém esta tendência continuada de elevadas Doses Diárias Definida de antibióticos por habitante e dia, juntamente com a Grécia, a Croácia, a Irlanda o Luxemburgo e a Dinamarca. De acordo com o estudo científico mais recentemente publicado sobre esta matéria, Portugal ocupa ainda a quarta posição no consumo global de antibióticos em ambulatório, subindo para o quarto lugar no caso específico do consumo das quinolonas (um grupo de antibióticos de largo espectro). Os dados são do último European Surveillance of Antimicrobial Consumption (ESAC), publicado no Journal Antimicrobiologic Chemotherapy.

Estudos internacionais revelam que cerca de um terço das infecções adquiridas no decurso da prestação de cuidados são seguramente evitáveis. De acordo com uma proposta do Programa Nacional de Prevenção e Controlo das Infecções Relacionadas com os Cuidados de Saúde, da Direcção-Geral de Saúde, oito em cada cem doentes internados nos hospitais portugueses são vítimas de infecção.

No último inquérito nacional de prevalência, realizado em Maio de 2003 pelo Instituto Português Ricardo Jorge, envolveu 67 hospitais e 16.373 doentes, e identificou uma prevalência de 8,4% dos doentes com infecções associadas aos cuidados de saúde e uma prevalência de 22,7% de doentes com infecção adquirida na comunidade (taxas semelhantes à maioria dos estudos internacionais). No mesmo documento, salienta-se ainda que, a prescrição de antibióticos em doentes sem infecção (excluindo a profilaxia cirúrgica) é relativamente elevada. Os resultados globais permitem sugerir que existe uma dispersão excessiva de critérios e práticas de prescrição de antimicrobianos nos hospitais portugueses.

Fonte:Grupogci
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Ana Carvalho
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18 / 11 / 2009  -  11 : 02

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