Jovem que ficou tetraplégico é um exemplo de luta
Um acidente quando realizava um mortal, há quatro anos, imobilizou Tiago Sousa, deixando-o tetraplégico.
O diagnóstico médico apontava para uma curta esperança de vida.
Hoje, com 25 anos, Tiago desmente a medicina e luta por reconquistar a mobilidade. "Não era muito diferente do que sou agora. O que mudou foi não poder saltar", lamenta, referindo-se à sua grande paixão.
"Os médicos disseram-me que ia ficar na cama, ligado ao ventilador, e que iria morrer devido a complicações respiratórias. Mas aos poucos fui recuperando. Fui à luta".
Tiago passou seis meses no centro de Medicina de Recuperação de Alcoitão e foi operado duas vezes.
"A partir da segunda cirurgia, com o dr. António Reis, comecei a recuperar a sério". Nunca perdeu o espírito da competição, decisivo na sua recuperação.
"Quero sempre mais", diz Tiago, contando que foi assim que recomeçou a dar os primeiros passos, com a ajuda da fisioterapeuta Graça Mendes, a 11 de Agosto. Hoje, é instrutor de fitness e dá aulas de ginástica, na Quinta da Marinha, a 27 crianças entre os cinco e os 13 anos.
O próximo objectivo de Tiago é passar para as canadianas e deixar definitivamente a cadeira de rodas, mas as quase diárias sessões de fisioterapia, imprescindíveis para a sua recuperação, custam 25 euros. "É um grande encargo e somos só os dois. Só tem sido possível graças à solidariedade das pessoas. O apoio estatal terminou com a alta de Alcoitão", explicou a mãe, Paula Pimenta. Para ajudar o Tiago, o Lisboa Ginásio Clube vai realizar, dia 26, um espectáculo solidário.
O bilhete para uma "Canção pelo Tiago custa dez euros e pode ser adquirido no local.
Cadeira de rodas não impede Nuno Vitoriano de praticar surf
Numa cadeira de rodas desde que ficou tetraplégico, quando aos 18 anos foi atingido com um tiro disparado acidentalmente, Nuno Vitorino começou há um mês a praticar surf e pretende levar jovens deficientes a entrar para a modalidade.
Nadador paralímpico até há quatro anos, Nuno Vitorino, de 32, demonstra que, com grande força de vontade, se pode transpor a maioria dos obstáculos.
"Numa cadeira de rodas a pessoa é obrigada a estagnar um pouquinho e eu sempre trabalhei para que isso não acontecesse", disse à Lusa, revelando que o seu grande objectivo é mudar "mentalidades". "De certeza que estou a mudar mentalidades das pessoas que vêem que o jovem que está na prancha é o dono da cadeira de rodas", frisou, lamentando que o surf não conste das actividades paralímpicas.
Fonte:Correio dos Açores
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