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52º Congresso Nacional de Oftalmologia
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Médicos Portugueses unem esforços para ajudar a oftalmologia nos países africanos
A 1ª Reunião Luso-Africana de Oftalmologia, realizada em Cabo-Verde, no passado mês de Outubro, motivou a organização de um debate em Portugal sobre a união de esforços da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) na área oftalmológica.
“Cooperação Africana” é o nome do simpósio que teve lugar no dia 7, às 17h, no último dia do Congresso Nacional de Oftalmologia. O encontro contará com a intervenção de médicos portugueses, espanhóis e com o Bastonário da Ordem dos Médicos de Cabo Verde e visa delinear um conjunto de medidas de apoio que os países ocidentais podem implementar em sociedades mais desfavorecidas.
O Prof. Ferraz de Oliveira, impulsionador das missões oftalmológicas em África, nas décadas de 1980 e 1990 realça que “Temos muitas responsabilidades para com os países em desenvolvimento. Somos a raiz de uma língua que muitos milhões de pessoas praticam ou entendem, em crioulos inimagináveis. Não devemos, por negligência, deixar de levar a bom termo o que pudermos fazer no campo da Oftalmologia. É algo de que muitos podem beneficiar e uma prática que só nos enriquece em termos oftalmológicos e humanos”.
Já o Dr. Júlio Barros Andrade, director do Serviço de Oftalmologia do Hospital Dr. Agostinho Neto, em Cabo Verde testemunha que “Estes países não estão no mesmo estadio de desenvolvimento. Por exemplo, Cabo Verde tem um oftalmologista para 50 mil habitantes; em São Tomé e Príncipe não existem oftalmologistas e há países que têm um oftalmologista por mais de um milhão de pessoas. De uma maneira geral, há falta de recursos humanos e de equipamentos básicos para a consulta e para a cirurgia fora das grandes cidades. Em Cabo Verde, a nossa maior carência é o seguimento e tratamento da diabetes ocular”. O especialista acrescenta que, para promover o desenvolvimento da saúde visual nos países em desenvolvimento “ Seria importante realizar inquéritos nacionais sobre a prevalência e as causas da perda de visão e, depois, elaborar programas nacionais de combate à cegueira. Estes seriam instrumentos indispensáveis para negociar com os doadores e os decisores políticos.
Por fim, o Prof. Borja Corcóstegui, vice-presidente da Fundação Olhos do Mundo, adianta que “ O ensino e a união dos países que avançam no conhecimento devem ser usados em prol dos cidadãos. Por outro lado, a existência de fundações e sistemas de cooperação mais fortes é fundamental. Criar modelos de equipa adequados permite formar profissionais nas comunidades mais carenciadas, possibilitando o desenvolvimento autónomo do seu trabalho. O médico deixa ainda uma mensagem aos países que precisam de ajuda” Os oftalmologistas espanhóis e portugueses partilham um sentimento de dever de ajuda aos mais necessitados. Já os países africanos talvez não tenham ideia do que nós podemos fazer por eles. Deixar de ser cego ou de ter deficiências visuais severas é encarado como uma questão de sorte. Eles estão abandonados ao seu destino e não depositam as suas esperanças em nós”.
Fonte:Guess What?
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Catarina Monteiro
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