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Os surdos ouvem quando sonham?

no dia 20 de Março de 2003
Esta pergunta motivou um estudo que um grupo de cientistas portugueses vai lançar nos próximos dias, depois de ter provado que os cegos vêem quando estão a sonhar. Em declarações à agência Lusa, Teresa dos Santos Paiva, professora na Faculdade de Medicina de Lisboa, adiantou que praticamente nada se sabe, a nível mundial, sobre a forma como os surdos-mudos congénitos sonham. Dizem que eles mexem as mãos enquanto sonham, o que, a verificar-se, é totalmente diferente do que acontece com quem ouve, e que quando sonha se encontra paralisado, afirmou. O estudo, que envolverá especialistas e técnicos em diversas áreas científicas, irá avaliar nomeadamente se os surdos-mudos de nascimento sonham com sons e se usam, nesse período, a área auditiva do cérebro para processar a informação. Isto porque já ficou provado - por uma equipa liderada também por Teresa dos Santos Paiva - que os cegos vêem perfeitamente imagens quando sonham e activam as respectivas áreas cerebrais quase da mesma forma que uma pessoa sem deficiência. Esses mesmos cegos foram capazes de desenhar caras tão perfeitas quanto as elaboradas por não cegos convidados a pintar o mesmo tema de olhos fechados. A partir do momento em que se verificou que, apesar de nunca as terem usado conscientemente, os cegos são capazes de activar de forma endógena as suas zonas cerebrais ópticas, as possibilidades de cura com recurso a próteses aumentam incomensuravelmente, mesmo que para já apenas a nível teórico. Daí que os investigadores pretendam agora verificar se nos surdos congénitos acontece a mesma coisa, embora o estudo exija metodologias distintas e parta de pressupostos diferentes. Até porque a audição, contrariamente à visão, é o último dos sentidos a adormecer no sono, além de que dialogar com um surdo exige o recurso a métodos diferentes dos usados com os cegos, que podem narrar verbalmente as experiências por que vão passando. Outra diferença fundamental entre os dois tipos de situação é o facto de os cegos, no escuro da noite, se tornarem praticamente iguais a quem vê, reduzindo-se ao mínimo a sua incapacidade, enquanto os surdos são-no 24 horas por dia, porque se há situações sem luz não há praticamente momentos sem ruído. As limitações próprias da situação dos surdos-mudos obrigarão, nomeadamente, a uma medida desnecessária no estudo dos cegos: a utilização de câmaras de vídeo não só para lhes acompanhar o sonho desde que adormecem mas também para registar os depoimentos que farão de cada vez que forem acordados para descreverem os seus sonhos, o que acontecerá de quatro em quatro horas. No sabemos com o que nos vamos deparar, daí a necessidade de registar tudo, afirmou à Lusa Teresa dos Santos Paiva. A equipa, que desenvolverá o seu trabalho num eixo criado entre a Faculdade de Medicina de Lisboa, no Hospital Santa Maria, e o ISTEL - Instituto do Sono, Cronobiologia e Telemedicina, é constituída por médicos, engenheiros, psicólogos, físicos e técnicos em várias especialidades, nomeadamente neurofisiografia, informática e linguagem. Para iniciar os trabalhos, falta apenas o financiamento, já garantido, de uma bolsa de investigação da Fundação BIAL, que já apoiou o estudo da visão onírica dos cegos e que há vários anos apoia investigadores portugueses e estrangeiros na área da medicina, entre outras. O ISTEL é um instituto privado sem fins lucrativos dedicado exclusivamente à investigação e ao ensino e que já liderou vários projectos internacionais na sua área de actuação. Além desta iniciativa, Teresa dos Santos Paiva está a levar a cabo vários outros trabalhos de ponta, nomeadamente um estudo para averiguar se os cegos são influenciados pelo grande sincronizador de qualquer pessoa com visão que é a luz solar. O que nos permite sincronizar a noção de tempo é a luz solar, cujo ciclo nos conduz a determinar as 24 horas do dia. O que estamos a tentar determinar é se os cegos usam outras formas de se sincronizarem, nomeadamente a sensibilidade da pele à luz solar, afirmou a investigadora. Neste estudo, dez cegos voluntários através da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) passarão um total de cerca de dois meses com um actígrafo - um pequeno aparelho que usam no pulso como um relógio - e serão monitorizados dia e noite. A investigação exige um protocolo complicado, afirmou. Mas se resultar, os cientistas poderão apurar se os cegos têm mecanismos de sincronização extra-ocular, o que abriria caminhos de estudo completamente novos. Os investigadores não se ficam por aqui e existe um outro projecto em curso, novamente sobre a situação de sonho em vítimas de acidentes vasculares cerebrais que perderam a visão. Queremos apurar a forma como esses acidentes afectam as áreas posteriores do cérebro, relacionadas com a visão. Vamos nomeadamente procurar ver se os doentes continuam a ser capazes de descrever cenas que vêem em sonhos, explicou. No fundo, o sonho é uma realidade virtual inventada pela natureza há milhões de anos e usada desde então pelos animais, um modelo em que o indivíduo se encontra centrado em si próprio, sem relação com o exterior, e baseado em cenas fantásticas e sem lógica, sustentou Teresa dos Santos Paiva. A investigadora salientou as parecenças entre o sonho e a realidade virtual, designadamente no que toca à pouca preocupação com a incongruência e situações que se sucedem de forma errática. In Correio dos Açores [Fim de Noticia]

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