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Opinião

A Génese das Soluções Especiais
da PT Comunicações
.

Estava-se em 1991 e preparava-se a candidatura ao programa RACE da União Europeia dum projecto que visava avaliar os possíveis benefícios do uso da videotelefonia como ferramenta promotora da integração de pessoas com necessidades especiais, nomeadamente idosos e deficientes.

 

A primeira reacção da direcção de engenharia foi: “Participar num projecto para deficientes e idosos?! por que motivo haveríamos de participar num projecto desses?!” Foi graças à insistência do então chefe de departamento o Eng. Fernando Leitão (não poderia deixar de mencionar seu nome) que os ex-TLP acabaram por aderir ao projecto com o INESC e a FMH como parceiros portugueses.

 

E foi assim que, depois de relações esporádicas entre o operador de telecomunicações e as pessoas deficientes, e do projecto para idosos em que o ex-CET de Aveiro havia estado envolvido, se começou a trabalhar, duma forma continuada, as necessidades especiais de comunicações dos idosos e principalmente das pessoas deficientes.

 

Na época o País vivia um perfeito estado de indiferença às necessidades destes cidadãos, e só bem recentemente tem vindo a despertar para a questão, graças à tenacidade de quem vive essa indiferença na pele, sejam eles os próprios deficientes, as suas famílias, ou os técnicos de ensino ou de saúde que com eles lidam directamente, com rara excepção dum ou outro dirigente político.

 

Nas escolas não havia alunos deficientes, que esses iam, na grande maioria dos casos, para as escolas de ensino especial. Com todo o mérito que estas instituições têm, há que integrar as pessoas no mundo real: nas escolas de ensino regular e adaptando-as para que a escola inclusiva seja uma realidade, para que os arquitectos, engenheiros e outros agentes que constróem a vida, a sociedade, conheçam outras realidades que não a das pessoas ditas normais.

 

Ao longo destes anos muito se evoluiu. Em 1994 criara-se na PT uma equipa a trabalhar exclusivamente para as pessoas com necessidades especiais, que mais tarde passariam a ser os “nossos clientes com necessidades especiais”, e aí foi dado o grande salto: formalmente a PT passaria a ter um departamento integrado na Direcção de Marketing – Serviços para Clientes com Necessidades Especiais.

Este departamento tem por missão ser o ponto focal das iniciativas da PT no que diz respeito aos clientes com necessidades especiais, tendo, entre outros, particular realce:

 

1.  1   O desenvolvimento de serviços e produtos para este mercado;

2. 2  Dar continuidade à sua participação em projectos de investigação e desenvolvimento com vista ao estudo e avaliação do impacte das novas tecnologias de comunicação e informação na integração de deficientes e idosos na sociedade; 

3.   Formação na integração de deficientes e idosos na sociedade;

4.   Promover o estabelecimento de acordos com instituições várias com o objectivo de criar demonstradores que provem ser as TIC’s uma ferramenta por excelência na integração nas escolas e na sociedade de alunos deficientes ou com doenças severas que se vêem impossibilitados de frequentar as aulas, de comunicar, de conviver como qualquer outro jovem ou criança;

5.   Estabelecer acordos que pretendem permitir que os idosos permaneçam em suas casas em segurança, em lugar de serem internados em lares com todo o efeito negativo que lhe está associado. Quem não prefere gozar os seus últimos dias no conforto da sua casa, mesmo que o não seja?

 

Ainda que subjacente esteja o sentido de cidadania, que qualquer empresa deveria ter, a Portugal Telecom é de facto um caso de referência no que diz respeito às pessoas com necessidades especiais, quer na óptica do prestador de serviços, quer na da empresa solidária, é prova o facto de sermos solicitados para contribuir com as nossa experiências nos processos de integração de pessoas deficientes no trabalho, caso do Banco Comercial Português e da Adecco que pretendem: o primeiro dar formação aos seus funcionários deficientes visuais, o segundo integrar deficientes nos postos de trabalho temporário, de cujo recrutamento são responsáveis, nomeadamente serviço de Help Desk da TMN.

 

Desbravado que está o caminho a percorrer no sentido duma sociedade mais solidária, resta ainda muita coisa para fazer ao nível da co-responsabilização da comunidade civil. em dúvida um caso que serve de exemplo do que é possível fazer-se neste contexto é o projecto PORCIDE que, sendo um caso de reconhecido sucesso pelo grau de integração profissional conseguido para os teletrabalhadores com deficiência motora envolvidos, provou que a vontade dum conjunto de empresas que uniram esforços para levar a cabo uma iniciativa como esta contribui fortemente para que a cidadania não seja uma expressão vazia de sentido e que esta não é incompatível com as pressões impostas pelo mercado concorrencial ao nível da prestação de serviços tendo em conta padrões de qualidade genericamente estabelecidos.

 

Para concluir e por uma sociedade mais igual, mais justa e completa, esperemos que outros “Porcides” desabrochem em Portugal.

 

Maio, 2000

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