| Opinião
Tele-Ensino
na reabilitação e
integração de pessoas com deficiência.
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As
primeiras experiências de tele-ensino tiveram lugar no âmbito
dum projecto absolutamente inovador o TeleCommunity, decorrido
entre 1992 e 1995, arrojado em Portugal mas também na Europa quer
do ponto de vista técnico quer do da prestação de serviços.
Foi este projecto
o primeiro cliente RDIS dos Ex-TLP. Foi também ele o primeiro
projecto orientado para pessoas deficientes em que um operador
de telecomunicações esteve envolvido em Portugal. E foi ele sem
sobra de dúvidas o pontapé de saída para a actividade que a PT
tem vindo a desenvolver no sector da reabilitação. O Programa
Aladim – RDIS para clientes deficientes da PT, que todos já conhecem,
é um dos filhos do TeleCommunity.
O que se pretendeu
foi criar uma experiência de campo envolvendo directamente os
utilizadores para os quais se destinavam os serviços prestados
remotamente: crianças e jovens com deficiência mental, ou cognitiva/intelectual
como hoje mais usualmente se usa designar. Alguns deles multi-deficientes
em que a deficiência visual se destacava.
Foi, entre outros,
objectivo do projecto testar os benefícios das novas tecnologias
na prestação de serviços para uma melhor integração social e escolar
de pessoas deficientes, nomeadamente:
1.
o ensino à distância
através dum programa de Treino de Visão e um de Competências Sociais;
2.
a Comunicação Interpessoal
através da Comunicação por Pictogramas e da Comunicação verbal
ou não-verbal entre pessoas com deficiência.
Na altura, e
estamos a falar do início da década de 90, o que representa uma
eternidade quando se pensa em novas tecnologias, a RDIS oferecia
ainda uma qualidade de serviço algo instável e teve que existir
alguma compreensão para o facto por parte de todos que de algum
modo participaram nas experiências, aqui naturalmente há que realçar
a colaboração exemplar que os técnicos das CERCI’s e do Instituto
António Feliciano Castilho, em Lisboa, deram à operacionalização
do projecto. Ou porque o equipamento e o software tinham que ser
ajustados, ou porque a RDIS apresentava alguma vulnerabilidade.
Hoje em dia a RDIS é uma meio de comunicação maduro, com uma taxa
de erros ínfima e com uma gama de soluções ao nível do equipamento
e software muito apreciável, com preços bem acessíveis.
À luz do que
havia sido estabelecido participaram no projecto, do ponto de
vista dos deficientes uma vez que o mesmo também tinha uma vertente
ligada aos idosos, a FENACERCI através da CECD em Mira Sintra,
da CERCIzimbra e da CERCI de Chelas e o Instituto António Feliciano
Castilho. Testaram os sistema cerca de 100 participantes, tendo
este mostrado ser um forte promotor da integração social destas
pessoas.
Foi sem dúvida
surpreendente o efeito que estes sistemas multimédia tiveram na
socialização das crianças e jovens que estiveram envolvidos nas
experiências. Fica na memória aqueles jovens da CERCI de Chelas
que por falarem com os da CERCIzimbra, criaram elos e relações
de amizade jamais pensados outrora, porque a distância é muita
e não é fácil promover o convívio entre instituições.
A videotelefonia é de facto um meio
de comunicação próximo. Ao ver-se o interlocutor tem-se a sensação
de que se está ali lado a lado. Fica-se perto. Mas não subestimemos
as relações humanas assentes no contacto presencial, as novas
tecnologias devem ser usadas como complemento a ele, nunca como
substituto. Quando bem usadas, o que pressupõe bem enquadradas,
são sem dúvida uma peça preciosa na melhoria da qualidade de vida
de todos nós.
Prova isto os projectos de integração
escolar de alunos com necessidades educativas especiais promovidos
por algumas Direcções Regionais de Educação. Bem como os projectos
desenvolvidos no âmbito de parcerias feitas entre a PT Comunicações,
a CRINABEL e a Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia
21, respectivamente: o primeiro com projectos nas áreas do ensino
e lúdica com recurso à Internet e ao ensino à distância; e o segundo
com um projecto na área do ensino da leitura – programa de treino
desenhado por um psicólogo – com base num software já desenvolvido.
Ambos operarão com recurso à RDIS, utilizando o sistema multimédia
Video-meeting PC (um produto da PT).
O que é preciso é que todas absorvam
a ideia e que a tornem o mais alargada possível abraçando também
a área da deficiência cognitiva em parceria com as instituições
a operar no sector.
Apresentado
no V Encontro das CERCI’s – I Encontro Nacional de Cooperativas
de Solidariedade Social, Vimieiro, 7 de Novembro de 2001
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